sábado, junho 09, 2007

Liberdade - valor maior

Havia um rei que não queria ser rei. Porque ser rei é uma grande chatice. Não por ter de mandar. Para isso estão lá os ministros. Mas por não poder ser livre. Poder dar um passeio pelos campos sempre que lhe apetecesse ou mergulhar no mar, numa praia qualquer, quando lhe desse na “real gana”. Deixar o palácio e a maçada dos banquetes oficiais e imiscuir-se nas festas de S. João e, no meio do povo, regalar-se com uma sardinha assada a pingar num bom naco de boroa.

Não! Não podia ser livre! Não podia namorar a camponesa vistosa que lhe enchera o olho, numa das suas escapadelas do Paço. Não podia mais ouvir as histórias que uma santa velhinha tinha para lhe contar, como sucedeu um dia em que fugira à vigilância, a que estava sujeito, e se embrenhara pelo bosque, onde a encontrou à porta duma humilde cabana coberta de colmo.

Não podia ser livre e, como toda a gente, atravessar a cidade, sem o séquito oficial a controlar seus passos e seus actos. Não podia cumprimentar e falar com as pessoas com quem se cruzasse nesse trajecto.

Não! O rei não era livre e, por isso, não queria ser rei!

Ele sabia, pelas vezes que fugira à submissa tutela do protocolo real, que a liberdade é o valor maior que os homens devem salvaguardar para si e para os outros.

Tirou a coroa da sua cabeça, pô-la na do irmão e, sem constrangimento, livre como passarinho, riscando o azul do céu, partiu a tomar conta da sua liberdade.

E… desse modo, conseguiu ser feliz e ser, sobretudo, Homem: Rei de si e da Natureza que, maternalmente, o envolveu num abraço terno de muito amor!

quarta-feira, junho 06, 2007

Micro-hidicas energia verde e barata

Dantes – até aos anos trinta do século XX –, em Portugal, por onde escorresse uma cale de água, as pás de uma roda movimentavam uma mó que farinava cereal, o mesmo sucedia por onde passasse um bufo de Eolo, também aí as brancas velas de pano faziam rodar uma mó. Eram milhares os moinhos de água e de vento que alimentavam as bocas do nosso país, quer dando-lhe a farinha necessária á produção do pão, quer ocupando braços.

Depois vieram os motores e essas velhas máquinas aproveitadoras das energias naturais e, daí, não poluentes, ficaram paradas e inúteis tornando-se ruínas a desfeiar o bucolismo das belas paisagens em que estavam habilmente inseridas.

Meu pai, serralheiro mecânico (e Mestre do Ensino Técnico), em 1947 – ele que fabricava moinhos eléctricos e a motor diesel, nas suas oficinas –, preconizou o reaproveitamento de toda essa energia, na produção de electricidade, quer através da adaptação das velhas rodas dos moinhos ou substituindo-as por pequenas turbinas acopladas a alternadores; quer transformando os moinhos de vento em aerodinamos.

Tinha razão, o “meu velhote”, pois os 7,5 KW, de cada mó, poderiam (ou poderão) muito bem multiplicar-se por milhares, por todo o país, e, a um custo muitíssimo baixo (as adaptações não eram, nem são caras), tornar-nos menos dependentes da importação de energia eléctrica.

A questão da energia Eólica está agora a ser resolvida, mas as micro-hidricas (não mini-hidricas, porque com demasiado investimento económico) continuam a desperdiçar a potência que nos faz falta.

Que quem for de direito nesta área, se debruce sobre o caso e tome as medidas adequadas e correctas, é o meu voto sincero!

segunda-feira, junho 04, 2007

Agricultura de subsistência e....

Num passado, de há pouco mais de quarenta anos, os campos em Portugal eram como um jardim – todos cultivados e a produzirem agros de todas as espécies. Hoje o que mais se vê são hectares e hectares de terra abandonada e tornada em matagal sem préstimo, porque improdutiva.

A que atribuir tal panorama? São inúmeros os factores que causaram e continuam a causar o fenómeno.

Até aos meados do século XX, a iliteracia, por um lado e a falta de indústria que ocupasse muitos braços, por outro, obrigavam as famílias, carregadas de prole, a aproveitarem todo esse caudaloso manancial de mão-de-obra, a utilizarem-no numa agricultura que agradava à vista, mas que mais na era do que uma mera forma agrícola de subsistir à fome a que só alguns escapavam. A agricultura – dizia-se – «era a forma de se empobrecer” alegremente”!» as aspas, neste caso, põem em causa a alegria dos agricultores, já que não pode haver alegria na míngua.

Depois veio a emigração para as grandes urbes e para o estrangeiro e começou, em muitas aldeias, a desertificação e o panorama que agora temos.

Entretanto, empresários vindos de fora, com outros modos de ver e cultivar, estão a adquirir algumas das terras que se encontram de monte e estão a começar a tirar bons proventos dessa atitude empreendedora.

Por quê?

Primeiro, porque ao adquirirem as propriedades pulverizadas em mil parcelas (à boa maneira egoísta dos portugueses «do divide e subdivide para que todos tenham um niquito no mesmo sítio»), logo trataram de emparcelar, acabando com muros, arretos e comoros, que não permitem o trabalho de um tractor ou de qualquer outra máquina agrária.

Segundo, fizeram um estudo sobre qual a melhor cultura a desenvolver no local, de modo a obterem as melhores colheitas, em quantidade e qualidade, seguindo um plano predefinido e elaborado com rigor, sem o desenrascar que nos é característico.

Isto deixa que pensar…

sábado, junho 02, 2007

Poesia sem rima

Encontrei-te finalmente. Sem ais,

Nem Oh! Foi o silêncio dum deserto.

Olhei-te todo impante e, sem mais,

Eu fugi, muito louco, mas desperto.

A obsessão da métrica é loucura,

É cadeia com grades invisíveis.

Por isso, em minha tão sóbria postura,

Eu me enleio nas coisas mais plausíveis.

Não sou, bem sei, bom poeta a fazer versos,

Porém sei, isso, sim, é que meus gritos,

De dor e liberdade, são impressos

Nas transcendentes letras que cogito.

Gostava de ser águia p’ra vogar

Na fantástica essência da verdade

E transformar em anjos de brincar

As loucuras que escrevo à puridade.

quinta-feira, maio 31, 2007

Partidos e políticos velhos

Como habitante, efémero, do Planeta Terra, e porque “Terra só há uma”, confesso que me sinto preocupado com o rumo que os políticos estão a dar aos destinos deste calhau rolante do Espaço que pode, por isso, vir a tornar-se uma Lua ou, se tal não suceder, ver desaparecer a vida por uns milhões de anos até se dar a sua, natural, regeneração.

Que andam os políticos, especialmente os que têm responsabilidades governativas, a pensar e a fazer? Será que não se apercebem dos perigos que corremos? Ou será, assusta-me dizê-lo, que em primeiro lugar está a “ganhuça”, sem escrúpulos, nem medo de partirem os seus próprios “telhados de vidro” com as pedradas que atiram a esmo contra o planeta em que vivem?

Dizia há dias, Helena Roseta no Jornal o Público, que os Partidos «estavam velhos e cheios de ideias ultrapassadas» e, em virtude disso mesmo, incapazes de tomar decisões acertadas e úteis ao equilíbrio das sociedades e da próprias urbes. Ela falava, é claro, referindo-se à Cidade de Lisboa, mas esse raciocínio é aplicável a toda a actividade política e humana dos nossos dias.

Será que com “riqueza” salvamos a nave em que navegamos pelo Cosmo? Creio bem que não!...