quarta-feira, junho 06, 2007

Micro-hidicas energia verde e barata

Dantes – até aos anos trinta do século XX –, em Portugal, por onde escorresse uma cale de água, as pás de uma roda movimentavam uma mó que farinava cereal, o mesmo sucedia por onde passasse um bufo de Eolo, também aí as brancas velas de pano faziam rodar uma mó. Eram milhares os moinhos de água e de vento que alimentavam as bocas do nosso país, quer dando-lhe a farinha necessária á produção do pão, quer ocupando braços.

Depois vieram os motores e essas velhas máquinas aproveitadoras das energias naturais e, daí, não poluentes, ficaram paradas e inúteis tornando-se ruínas a desfeiar o bucolismo das belas paisagens em que estavam habilmente inseridas.

Meu pai, serralheiro mecânico (e Mestre do Ensino Técnico), em 1947 – ele que fabricava moinhos eléctricos e a motor diesel, nas suas oficinas –, preconizou o reaproveitamento de toda essa energia, na produção de electricidade, quer através da adaptação das velhas rodas dos moinhos ou substituindo-as por pequenas turbinas acopladas a alternadores; quer transformando os moinhos de vento em aerodinamos.

Tinha razão, o “meu velhote”, pois os 7,5 KW, de cada mó, poderiam (ou poderão) muito bem multiplicar-se por milhares, por todo o país, e, a um custo muitíssimo baixo (as adaptações não eram, nem são caras), tornar-nos menos dependentes da importação de energia eléctrica.

A questão da energia Eólica está agora a ser resolvida, mas as micro-hidricas (não mini-hidricas, porque com demasiado investimento económico) continuam a desperdiçar a potência que nos faz falta.

Que quem for de direito nesta área, se debruce sobre o caso e tome as medidas adequadas e correctas, é o meu voto sincero!

segunda-feira, junho 04, 2007

Agricultura de subsistência e....

Num passado, de há pouco mais de quarenta anos, os campos em Portugal eram como um jardim – todos cultivados e a produzirem agros de todas as espécies. Hoje o que mais se vê são hectares e hectares de terra abandonada e tornada em matagal sem préstimo, porque improdutiva.

A que atribuir tal panorama? São inúmeros os factores que causaram e continuam a causar o fenómeno.

Até aos meados do século XX, a iliteracia, por um lado e a falta de indústria que ocupasse muitos braços, por outro, obrigavam as famílias, carregadas de prole, a aproveitarem todo esse caudaloso manancial de mão-de-obra, a utilizarem-no numa agricultura que agradava à vista, mas que mais na era do que uma mera forma agrícola de subsistir à fome a que só alguns escapavam. A agricultura – dizia-se – «era a forma de se empobrecer” alegremente”!» as aspas, neste caso, põem em causa a alegria dos agricultores, já que não pode haver alegria na míngua.

Depois veio a emigração para as grandes urbes e para o estrangeiro e começou, em muitas aldeias, a desertificação e o panorama que agora temos.

Entretanto, empresários vindos de fora, com outros modos de ver e cultivar, estão a adquirir algumas das terras que se encontram de monte e estão a começar a tirar bons proventos dessa atitude empreendedora.

Por quê?

Primeiro, porque ao adquirirem as propriedades pulverizadas em mil parcelas (à boa maneira egoísta dos portugueses «do divide e subdivide para que todos tenham um niquito no mesmo sítio»), logo trataram de emparcelar, acabando com muros, arretos e comoros, que não permitem o trabalho de um tractor ou de qualquer outra máquina agrária.

Segundo, fizeram um estudo sobre qual a melhor cultura a desenvolver no local, de modo a obterem as melhores colheitas, em quantidade e qualidade, seguindo um plano predefinido e elaborado com rigor, sem o desenrascar que nos é característico.

Isto deixa que pensar…

sábado, junho 02, 2007

Poesia sem rima

Encontrei-te finalmente. Sem ais,

Nem Oh! Foi o silêncio dum deserto.

Olhei-te todo impante e, sem mais,

Eu fugi, muito louco, mas desperto.

A obsessão da métrica é loucura,

É cadeia com grades invisíveis.

Por isso, em minha tão sóbria postura,

Eu me enleio nas coisas mais plausíveis.

Não sou, bem sei, bom poeta a fazer versos,

Porém sei, isso, sim, é que meus gritos,

De dor e liberdade, são impressos

Nas transcendentes letras que cogito.

Gostava de ser águia p’ra vogar

Na fantástica essência da verdade

E transformar em anjos de brincar

As loucuras que escrevo à puridade.

quinta-feira, maio 31, 2007

Partidos e políticos velhos

Como habitante, efémero, do Planeta Terra, e porque “Terra só há uma”, confesso que me sinto preocupado com o rumo que os políticos estão a dar aos destinos deste calhau rolante do Espaço que pode, por isso, vir a tornar-se uma Lua ou, se tal não suceder, ver desaparecer a vida por uns milhões de anos até se dar a sua, natural, regeneração.

Que andam os políticos, especialmente os que têm responsabilidades governativas, a pensar e a fazer? Será que não se apercebem dos perigos que corremos? Ou será, assusta-me dizê-lo, que em primeiro lugar está a “ganhuça”, sem escrúpulos, nem medo de partirem os seus próprios “telhados de vidro” com as pedradas que atiram a esmo contra o planeta em que vivem?

Dizia há dias, Helena Roseta no Jornal o Público, que os Partidos «estavam velhos e cheios de ideias ultrapassadas» e, em virtude disso mesmo, incapazes de tomar decisões acertadas e úteis ao equilíbrio das sociedades e da próprias urbes. Ela falava, é claro, referindo-se à Cidade de Lisboa, mas esse raciocínio é aplicável a toda a actividade política e humana dos nossos dias.

Será que com “riqueza” salvamos a nave em que navegamos pelo Cosmo? Creio bem que não!...

segunda-feira, maio 28, 2007

Discriminação?

Não cabe a ninguém julgar os outros, todavia existem situações que nos fazem pensar que, afinal, nem todos somos iguais na forma como nos tratam ou tratam das nossas coisas.

Estou concretamente a referir-me ao caso da menina inglesa desaparecida. E embora não vá, nem esteja a dizer nada de novo a realidade constatável é que, por esse Mundo além, durante estes já bem “longos” dias, desapareceram (acreditem!) algumas outras pessoas e, no entanto, a comunicação social (sempre tão atenta!... – a ironia justifica-se plenamente) nada disse ou, se o fez, fê-lo de forma quase imperceptível, de tal modo que ninguém deu por nada.

Por quê comportamentos tão dispares? Será que uns são filhos de Deus e os outros de uma divindade muitíssimo inferior? Será que as vidas humanas merecem tratamentos diferentes de acordo com a cor da pele, as etnias, a nacionalidade, as classes sociais donde provêm ou, (revoltantemente) ainda, a possibilidade económica que as embrulha?

Santo Deus! Em que Mundo vivemos nós?!...-