terça-feira, maio 15, 2007

Filosofia de Vida

Todos sabemos que viver é uma coisa tremendamente difícil. Implica redobrada atenção, para não serem cometidos erros que afectem a integridade moral, psíquica e física nossa e de quantos nos envolvem nas relações quotidianas do cruzar ombro com ombro e dos afectos que damos e recebemos aos e dos que mais queremos. Pois eles são, directa ou indirectamente, carne da nossa carne na simples trajectória dos caminhos percorridos, com entusiasmo e também com dor, rumo á eternidade prognosticada desde a nossa concepção.

Daí que a indecisão, a dúvida, e o medo sejam o “pão-nosso de cada dia” das pessoas conscientemente bem formadas e, por isso, portadoras de princípios e valores educacionais e sociais que as tornam padrões a luzir no plano subjectivo da convivência e da sobrevivência, num meio naturalmente cheio de afiadas saliências que, a cada instante, podem ferir e destruir o normal avançar do individuo na maravilha e no sublime mistério do Ser e do Estar existencial e existencialista, na sua inequívoca e irrepetível unicidade.

Por tudo isto, no seio das incertezas que nos enchem e preenchem, há que acordar, diariamente, plenos de esperança, para termos a força necessária para fazermos melhor do que fizemos na véspera e, desse modo, sem alarde e destemidamente, sermos capazes de “levar a carta a Garcia”, levantando um pé de cada vez, na convicção serena, de calcorrearmos, sem pejo, a senda certa, embora efémera da Vida.

Que assim seja!

sábado, maio 12, 2007

Ciência e Fé

Milagre! Mas o que é, afinal, um milagre? Dizem os dicionários que é «qualquer fenómeno para o qual não exista uma explicação natural.» Ora, esta definição não satisfaz – direi mesmo, não pode satisfazer – quem é mais exigente e coerente consigo próprio, uma vez que – quem tem, no seu alforge de conhecimento adquirido pelo estudo, algo mais do que a simples convicção religiosa – as coisas precisam de ser entendidas e, bastas vezes também, sentidas com verdadeiro espírito cientifico ou – se quiserem – socrático/descartiano.

Comemora-se este ano o 90º aniversário das Aparições de Fátima e, por isso, fala-se muito no milagre do Sol. Milagre? Não. Apenas – por sugestão intuída e bombardeada pelos inocentes pastorinhos – uma alucinação colectiva, cuja dinâmica se tornou tão potente, em vibração radioeléctrica cerebral (seja-me permitida esta imprecisão terminológica) que, a cerca quarenta quilómetros de distância, houve ainda mentes que a captaram e, por isso, «viram» também o Sol a bailar no azul do céu.

É bem evidente que o Sol – astro vital do sistema em que habitamos – prosseguiu imutavelmente a sua trajectória cósmica sem qualquer alteração. Todavia a mente daqueles “influenciados” e crentes peregrinos e dos hipersensitivos, que, por telestesia, do mesmo modo, foram tocados, construiu o fenómeno numa visualidade verdadeiramente notável e impressionante.

Milagre é toda a fenomenologia que, no momento em que ocorre, a ciência ainda não teve meios para explicar ou justificar – deveriam dizer os léxicos de forma clara e concludente, de modo a que as pessoas não se sentissem chocadas e ofendidas ao tomarem conhecimento das descobertas científicas que contradizem aquilo em que, convictamente, acreditam ou acreditavam.

sexta-feira, maio 11, 2007

Globalização

Fala-se muito em globalização, na aldeia que é o Mundo, na interacção dos povos etc,, etc., mas a realidade, ao que nos é dado ver, é um tanto diversa desse modo de pensar e agir.

Se não, vejamos: a globalização leva à uniformização da sociedade, quiçá da técnica e do pensamento. E daí surgem as empresas multinacionais que asfixiam e eliminam as pequenas e médias estruturas comerciais, industriais e de serviços, quer nos países ricos, quer nos de menores recursos, nestes últimos (como é o nosso caso) acabam mesmo por acentuar as desigualdades económicas e sociais, não melhorando, como seria óbvio, a qualidade dos produtos ou dos serviços, porque tudo passa a ser feito em série em que a quantidade é o que unicamente importa (a quantidade aumenta o lucro) e, por isso mesmo, se torna fácil haver erros ou simples imprecisões no “controlo de qualidade”.

Dantes, nas pequenas e médias empresas., o cliente sabia, á partida, que ia ter um tratamento personalizado e que o índice de satisfação atingiria a ordem aproximada dos 100%, pois o empresário e os seu funcionários empenhar-se-iam para agradar ao “velho e amigo” cliente. Ora, hoje tudo é impessoal: a menina do atendimento, o (ou os) operador(es) que executam a encomenda, o transportador, enfim, toda aquela máquina humana envolvida.

Depois surgem as falhas. Estamos – um entre milhares – a reportar-nos ao caso de uma multinacional (cremos que francesa) de lavandaria que, depois de ter “lavado” (?) uma peça de roupa branca de algodão, a entregou com uma mancha amarelada no bordo e pessimamente passada a ferro.

Tal nunca sucedeu quando íamos à lavandaria do bairro, (encerrada por mor das multinacionais) à Senhora D. Alzira (o nome é fictício) e ela e a sua empregada executavam, hábil e criteriosamente, o trabalho, dando toda a satisfação aos seus fregueses.

Comentários… para quê?...

quarta-feira, maio 09, 2007

Ecologia II

Ontem fui passear para Parque Municipal de Fontelo – o maior e melhor pulmão da Cidade de Viseu – e fiquei triste, muito triste mesmo. Aquela belíssima mata para onde, eu e muitos jovens do meu tempo, íamos estudar em vésperas de exames e fazer passeios ecológicos com as namoradas, aproveitando a frescura aromática das árvores seculares, já não é nada do que era.

Há – nota-se a cada passo – grande descuido, quer no tratamento dos espécimes vegetais, quer nos equipamentos que integram o espaço que já foi património residencial dos Bispos de Viseu.

Uns sanitários existentes, por (provavelmente) falta de condições de higiene e por avançado estado de degradação, foram demolidos. Muito bem, estamos de acordo! Mas, ao contrário do que seria previsível e necessário, não foram substituídos por nova estrutura que sirva as mesmas funções. Por outro lado, uma bonita, útil e rústica ponte de madeira que dava continuidade a uma senda pedonal, por mor da sua vetustez e do rigor do Inverno, entrou em colapso e para ali ficou a exibir as suas, agora, feias ruínas, numa mostra do desprezo a que foi votada. Umas “jaulas” que, (erradamente, diga-se) em tempos, albergaram mamíferos e aves selvagens, apresentam uma feia imagem de abandono.

Isto confrange e dói e não é digno de uma Capital de Distrito que se ufana da sua beleza e do seu progresso. Onde estão os ecologistas desta terra ou o que andam eles a ver e a fazer?...

segunda-feira, maio 07, 2007

A Arqueologia e o Evangelho

Há tempos vi, num dos canais de Tv., um documentário sobre as mais recentes descobertas arqueológicas em Israel, creio que em Jerusalém. Após aturadas investigações e sofisticadas análises de ADN, os cientistas/investigadores concluíram, entre outras coisas, que, afinal, Jesus – o Cristo – fora, efectivamente, casado com uma tal Maria – que julgam ter sido a cognominada de Madalena e que com ela tivera um filho – o que não causa espanto, pois outros, muito antes, já o tinham sugerido.

Só que estes especialistas foram mais longe, afirmando que – quando Cristo, alçado na cruz, na hora derradeira de sua vida, afirmou: «Mulher, eis o teu filho!» e, de seguida olhando o discípulo “muito amado” (que ninguém, até agora, sabe com rigor quem era, apenas se aventam hipóteses pouco consistentes) conclui dizendo: «eis aí a tua mãe!» – Jesus estava a falar para Madalena e para seu próprio filho.

Num primeiro momento, isto pode parecer natural, mas, depois, seguindo o texto evangélico e analisando os factos com um pouco de atenção, logo percebemos que tal não poderá ser assim interpretado. Ninguém iria dizer a uma mãe; «eis aí o teu filho1» nem a um filho «eis a tua mãe!» Isso só sucederia se estivessem separados há muito, muito tempo, o que não era, de forma alguma, o caso.

Portanto, continua certa a interpretação de que Jesus recomendou a sua própria mãe – senhora viúva e desamparada – ao (tal) “discípulo muito amado” para que lhe desse o apoio e bem-estar de que iria precisar daí em diante, já que os outros seus (de Cristo) irmãos, não eram filhos dela, mas da primeira mulher de José seu pai.

Que dissertar mais sobre o assunto?!...