quarta-feira, abril 18, 2007

Dúvidas e mais dúvidas

Qual será o pensamento de um matador compulsivo como aquele jovem que, na América, executou a tiro tantas pessoas? Confesso que, para mim, tal comportamento é deveras estranho e, direi, impossível de entender!

Bem sei que existe imensa discriminação e xenofobia, também imagino quanta revolta isso deve causar, mas a minha reduzida inteligência e conhecimentos adquiridos ao longo da vida, não me permitem abranger um leque (provavelmente) tão vasto de causas dinamizadoras de atitudes assim violentas e nefastas.

Qual a culpa das vítimas do massacre em toda aquela incomensurável revolta? Por certo terão sido, somente, cordeiros inocentes nas mãos de um tresloucado magarefe? Não sei? Não sei?! Mas, juro, dá muitíssimo que pensar!

E, para rematar este malfado caso, mais uma questão: Por que andam as armas de fogo tão acessíveis à mão de qualquer um?...

segunda-feira, abril 16, 2007

"Festival do Oculto"

«Tudo está escrito!...» – soa dizer-se quando algo não corre segundo o nosso desejo, querendo-se, com isso, atribuir ao “Destino” as culpas do nosso falhanço ou do nosso sucesso, como se o destino não fosse coisa feita por nós, com o nosso esforço, espírito de luta, estudo aturado, meditação profunda e/ou modo de ser e de estar no Mundo.

O Destino, somos nós e a nossa interacção com os outros e com quanto nos rodeia, desenhando o rumo que, de momento a momento, somos forçados a traçar, com vista à prossecução dos nossos objectivos no mapa da existência, tendo em conta centenas de factores, que, em moto continuo, vão alterando as conjunturas económicas, sociais, políticas, numa palavra: Humanas.

Vem isto a propósito de um “Festival do Oculto” realizado este fim-de-semana, em Viseu, onde uma dezena e meia de charlatães (sublinhe-se a palavra), facturou à custa de umas boas dezenas de incautos, febrilmente ansiosos de descobrirem o seu “Destino” de curto ou médio prazo. Não estou – não posso estar – contra nada, nem ninguém. O que me surpreende é ver que, em pleno século XXI, ainda há tanta gente que não sabe separar o trigo do joio e não destrinça o oportunismo da seriedade a qual é fruto da obtenção de conhecimentos e de saberes sólidos, com base em princípios e regras cientificas e não, empiricamente, em fanatismos mórbidos que enganam e, mais tarde ou mais cedo, desiludem e levam a depressões perniciosas e, daí, à perda da razão.

Contra que “moinhos de vento” quixotescos estamos a esgrimir?...

sábado, abril 14, 2007

O Humor nas expressões populares

Há expressões no léxico popular que, embora engraçadas pela sua tipicidade e ingenuidade, não deixam de carecer de alguma boa vontade, para serem aceites e, francamente, entendíveis, por quem não conhece bem a nossa língua. Por exemplo, um clínico vê um doente e, depois da consulta, alguém quer saber notícias através de um familiar e a resposta surge, com naturalidade: «o médico torceu-lhe o nariz!» O que a pessoa queria dizer com tal afirmação (ou frase feita ou idiomática) era, simplesmente, que «o doente não estava nada bem

Fazendo humor sobre o caso diríamos: - Bolas! Já não lhe bastava a doença, quanto mais o médico pôr-se a torcer o nariz ao pobre do enfermo! Coitado do infeliz!...

Houve, nos finais dos anos 50 do século XX, em Viseu, um escrevinhador, em semanários da região, que apunha, no cabeçalho dos seus escritos (diga-se: arengas medíocres, mas bem fascistas), a seguinte asserção: «quando o Mundo passa torto à minha porta, dou-lhe um pontapé.»

Pobre Mundo, se já ia torcido e a cambalear, com um pontapé… Imagine-se só como ficava depois de, tantas vezes, ter passado à porta do tal fulaninho!...

Felizmente um punhado de Capitães fez o 25 de Abril em 1974 e “a mula da cooperativa” (era assim que chamávamos o tal sujeito) perdeu o pio porque senão o “Mundo” estaria hoje, de certeza, totalmente paralítico com tantos pontapés. Oh! se não estava!?...

quarta-feira, abril 11, 2007

Ainda Icongruências religiosas

Por que é os Cátaros consideravam a adoração da cruz como um acto fetichista e de paganismo primário? Então a Cruz não é o símbolo da redenção da humanidade, como em pequenos nos ensinaram e, por isso, até trazemos uma ao pescoço?

Para a maioria dos cristãos é evidente que sim! Ao analisarmos atenta e desapaixonadamente os factos, verificamos que outra forma de morte não poderia ter sido escolhida por Deus quando traçou o Plano da Salvação dos homens, pois, para a época, outro instrumento não havia mais doloroso e ignominioso. Ora a morte de Cristo tinha de ser um acto de grande humildade do próprio Redentor, que, com grande sentido de submissão ao Pai, tudo aceitou. Por outro lado, a cruz é o cruzamento de dois paus: um na vertical e outro na horizontal. Este significa o abraço de amor a toda a humanidade. O vertical pretende elevar-se e elevar-nos até à transcendentalidade, até Deus. Para que tal fosse bem visível outro instrumento não havia que não fosse a Cruz. É, no entanto, bem certo que os primeiros cristãos, muito especialmente os de Roma, se não identificavam pela cruz, nem com a cruz, mas por e com um peixe que resulta de ICTHUS, cuja palavra é formada pelas iniciais Iesous Christos Theou Ulios Soter que se traduz por Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. A cruz, todavia, é bem mais simples e fácil de desenhar que qualquer outra marca identificativa, qualquer um sabe traçar uma cruz, até que seja só de forma mímica, num gesto aéreo feito com uma das mãos. A cruz é também o sinal mais ( + ), ou seja o sinal que revela toda a positividade matemática da nossa vi(n)da, como já sucedia com os antigos egípcios, para quem a cruz era um símbolo de vida e, muitíssimo antes de terem contactado com os cristãos, para os astecas ela constituía um símbolo sagrado. A cruz não se julgue que é um exclusivo dos cristãos, pois séculos antes de Cristo, já os escandinavos assinalavam as sepulturas dos seus reis com esse sinal. É evidente que, como é da tradição, a cruz da crucificação de Jesus e as dos “ladrões” que o ladearam era em forma de tau (T) ou seja da letra do alfabeto grego correspondente ao tê, isso não lhe retira a riqueza simbólica que anteriormente referi. Por isso, talvez a sua adopção pelos cristãos e não, de um modo mórbido, como interpretavam os Cátaros, de veneração ao instrumento doloroso de tortura e morte Daquele que só foi e se revelou autêntico Filho de Deus pela Sua Ressurreição. Cristo se não tivesse Ressuscitado de entre os mortos teria sido, tenho disso a certeza, como muitos outros, antes e depois Dele, apenas um homem (Sublime é certo, em seus ensinamentos), mas nada mais do que isso.

(Do meu romance a publicar «Sei!(?) Não sei?(!)»)

De novo a "lei da r olha"?

Já vi muita coisa nesta vida! Mas nunca tinha imaginado sequer que a justiça quisesse ou pudesse impor a “lei da rolha“, como vi, ontem, num telejornal.

Um jornalista desportivo ou não (não sei efectivamente, nem isso interessa ao caso) publicou, há já algum tempo, uma notícia em que fazia menção a determinado clube o qual devia uma elevada importância. Facto incontestadamente verdadeiro. Pois o Supremo Tribunal, depois de outros, veio condenar o jornal a uma elevadíssima indemnização, por considerar que fora posto em causa “o bom-nome” do clube em dívida.

Então, a verdade não deve dizer-se? Onde está a transparência das instituições? Que é feito da liberdade de expressão e/ou de informação? Será que a vitória do fantasma do “Estado novo” (ressuscitado, por um concurso televisivo, feito sem critérios, nem princípios de defesa dos valores da liberdade e da democracia) está a afectar as mentes antiquadas (e, se calhar, anquilosadas) dos fazedores da justiça portuguesa? Será que, brevemente, vamos ter, de novo, o “lápis azul” da Censura a conspurcar e a destruir as páginas da informação em Portugal? Não bastaram 48 anos de tal regime?

Meu Deus, meu Deus em que país vivemos nós?!....