quarta-feira, abril 11, 2007

De novo a "lei da r olha"?

Já vi muita coisa nesta vida! Mas nunca tinha imaginado sequer que a justiça quisesse ou pudesse impor a “lei da rolha“, como vi, ontem, num telejornal.

Um jornalista desportivo ou não (não sei efectivamente, nem isso interessa ao caso) publicou, há já algum tempo, uma notícia em que fazia menção a determinado clube o qual devia uma elevada importância. Facto incontestadamente verdadeiro. Pois o Supremo Tribunal, depois de outros, veio condenar o jornal a uma elevadíssima indemnização, por considerar que fora posto em causa “o bom-nome” do clube em dívida.

Então, a verdade não deve dizer-se? Onde está a transparência das instituições? Que é feito da liberdade de expressão e/ou de informação? Será que a vitória do fantasma do “Estado novo” (ressuscitado, por um concurso televisivo, feito sem critérios, nem princípios de defesa dos valores da liberdade e da democracia) está a afectar as mentes antiquadas (e, se calhar, anquilosadas) dos fazedores da justiça portuguesa? Será que, brevemente, vamos ter, de novo, o “lápis azul” da Censura a conspurcar e a destruir as páginas da informação em Portugal? Não bastaram 48 anos de tal regime?

Meu Deus, meu Deus em que país vivemos nós?!....

segunda-feira, abril 09, 2007

Incongruências religiosas

Há coisas, nas igrejas de raiz cristã, que, hoje, me são um tanto incompreensíveis e bem difíceis de aceitar. Por exemplo: Cristo, dizem os evangelhos, ressuscitou! Então, se ressuscitou, porque levam Jesus, pregado na cruz, de casa em casa na visita pascal? Se Ele ressuscitou, não deveria ser levada, sim, uma imagem sem a cruz, tipo Cristo Redentor?

Outro exemplo: Na cerimónia de Sexta-Feira Santa, em dado momento, procede-se “à adoração da cruz”. Quanto a mim, parece-me, neste caso, são cometidos dois erros graves. O primeiro é dizer-se “adoração” quando nos Mandamentos da Lei de Deus se diz que «só a Deus adorarás». O segundo é a “adoração” de um instrumento de martírio e morte. Então por que não venerar a forca, a guilhotina ou a cadeira eléctrica que também são instrumentos de martírio e morte? Não será isto fetichismo religioso?

Caramba! Estamos já no século XXI e não ainda nas trevas dos tempos da Inquisição!

quinta-feira, abril 05, 2007

Uma lenda sobre a Páscoa

Com votos de Páscoa Feliz para todos, aí vai uma lenda que recolhi vao para cerca de 50 anos.


Há muitos, muitos anos, ainda os romanos dominavam a Península Ibérica, havia um povo castrejo que habitava, mais ou menos, junto ao que é hoje a aldeia de Carvalhais, no concelho de S. Pedro do Sul (talvez Castro da Cárcoda) e que, nesse ano, vivia muito preocupado, porque tudo andava mal com a seca e as moléstias que o assolavam.

As culturas não produziam como de costume; os frutos silvestres não eram o que deviam ser; pois a chuva fora escassa e o sereno, no tempo da floração, não soprara para limpar as pétalas desnecessárias; os animais morriam à sede e à míngua. Era, enfim, um ror de calamidades que a todos afligia.

Os homens, exauridos de mourejar a gleba madrasta, caíam em desânimo, juntando-se à entrada dos seus cardenhos arredondados, conversavam lamentando-se da desgraça em que se encontravam.

Dois varões, de barba negra e hirsuta, rostos tisnados pelo sol e pelo suor, mastigando, lentamente, um naco de pão de castanha e bolota, diziam desesperadamente um para o outro:

- A continuar assim, morremos todos. As minhas provisões não duram mais que três dias. Não sei que hei-de fazer!...

- O teu queixume é bem melhor que o meu, pois já há dois dias que os meus se foram. Vale-nos a solidariedade dos vizinhos.

- O Feiticeiro bem se farta de fazer coisas para ver se a água cai do céu, mas nada. Tudo em vão.

E as práticas eram todas iguais, uma desesperada lenga-lenga de queixumes, até que, cansados, iam por aqueles penhascos resmungando imprecações contra os deuses tutelares do Castro.

Mais um dia ou dois passaram. Uma bela noite de sono, estranhamente, pesado, algo aconteceu sem ninguém dar por isso.

De manhã, ao sair das casas, o povo abriu a boca de pasmo e encanto: a Natureza mudara. As ervas vicejavam, as flores enchiam os olhos de cor e alegria, as cerejeiras, precocemente, reverberavam frutos carnudos e suculentos e os animais, já saciados, viam a água transbordar dos charcos e rumorejar pelos regatos e ribeiros da região.

É que – diz a velha lenda – lá longe, em Israel, naquela manhã primaveril, Jesus Cristo ressuscitara para salvar os homens da Terra inteira.

(Do meu livro já publicado:”Dente de Cavalo”)


terça-feira, abril 03, 2007

A propósito do Dia das Mentiras

«Ouvi dizer…» Eis uma frase ambígua e terrivelmente perigosa. Quando se ouve algo, logo surgem várias questões: Quem disse? Como o disse? Por que o disse? Qual o fundo de verdade na afirmação? Quais os modos ou instrumentos usados na pesquisa da informação? etc., etc., o rol das perguntas seria imenso.

Às vezes uma coisa que parece sem importância e, daí, óbvia não passa de mera especulação ou, o que é bem pior, de simples diversão que pode vir a tornar-se em “barril de pólvora”, pronto a estoirar a todo o momento.

Os boatos, a mais das vezes, surgem exactamente assim, são filhos do nada, mas, quase sempre, causam danos nas pessoas, nas famílias, nas instituições, nos estados. É “bola de neve” a rolar e a aumentar seu volume até ser avalanche avassaladora e arrasadora.

É por isso que o Primeiro dia de Abril, servindo para expandir frustrações reprimidas por força do “parece mal”, pode ser transformado numa data desastrosa. As mentiras desse dia, por mais ingénuas que possam parecer, podem vir a ser fonte de “diz que se disse” e, desse modo, ocasionar alguns prejuízos materiais e morais.

Por tudo isto – não sou contra a existência do dia das mentiras – sempre que, no rodar dos tempos, as pessoas queiram pregar a sua “mentirinha” devem pôr nisso todo o cuidado, de maneira a evitar situações desagradavelmente indesejadas, seja para quem for.

Sempre estou muito velho e muito louco! Vivam os futuros dias das mentiras!...

segunda-feira, abril 02, 2007

Perenidade dos suportes de conteúdos

«Nada (absolutamente nada) é eterno e imutável no Universo!» Tudo morre ou desaparece e tudo se transforma. A eternidade só existe na forma de energia mutável e recuperável. Por esta ou aquela razão ou por esta ou aquela técnica será possível reconstituir algo em vias de perda, mas tal só acontecerá por um tempo restrito, pois tudo terá de voltar a um novo começo ou recomeço, de acordo com o ponto de vista de cada qual.

Vem isto a propósito das novas tecnologias que, há alguns anos atrás eram tidas como a forma perene de guardar os conhecimentos e as memórias dos nossos dias. Sabe-se hoje que, afinal, essa ideia estava e está totalmente errada, já que quer um disco rígido de um qualquer computador, quer um CD ROM, uma antiga disquete, um CD áudio, um DVD, um filme ou qualquer outro suporte magnético de memória têm um tempo de duração que vai pouco além dos cinco anos, perdendo-se, a partir daí, parcial ou totalmente, o seu conteúdo.

Dizia-se, em tempos muito recentes: «o suporte literário em papel tem seus dias contados.» Qual quê?! As bibliotecas com milhares de obras manuscritas ou impressas, apesar do passar dos muitos séculos de existência, continuam e, creio-o, vão continuar a ser a melhor maneira de conservar saber e memória, salvo no caso de se descobrir (a ciência evolui a cada hora) um suporte que seja tão duradoiro quanto o tem sido o pergaminho, o papel, o bronze e a pedra, os quais puderam resistir durante milénios com possibilidade da serem reproduzidos fielmente em conteúdo e em forma.

O novo é bom, mas o velho, por enquanto, continua a ser imbatível e insubstituível!...