segunda-feira, março 05, 2007

Por quê radicalismos?

Sempre me assustei com os radicalismos (digo, fundamentalismos) quer políticos, quer religiosos, pois eles nunca trazem nada de bom. Os extremismos levam sempre à intolerância e ao despotismo próprio das ditaduras, em que os “Direitos Humanos são, permanentemente, desrespeitados e violados em todos os seus princípios.

Vem isto a propósito das (muito tristes) imagens do passado sábado, mostradas pelas televisões, oriundas de Santa Comba Dão, em que, por mor de um museu, os extremos entraram em desrespeito mútuo, insultando-se reciprocamente e obrigando a G.N.R. a intervir para defesa do grupo mais pequeno e para manter a ordem pública, completa e desnecessariamente, alterada, se tive havido bom-senso e o mínimo respeito pelos contrários.

Qual é, então, a razão de meu susto? É, sem mais nem menos, ver que, num país, ainda há pouco saído de uma longa e terrível ditadura, as “velhas guardas”, num total desprezo por tudo e todos, (especialmente pelas ideias de cada um) despertarem sentimentos de retaliação, há trinta e picos anos adormecidos, o que não é nada bom, pois profetisa algo de pouco digno e nada benéfico para Portugal e para os portugueses.

Urge desenvolver esforços no sentido da compreensão e da tolerância. Eu não quero o retorno ao fascismo salazarista, mas também me repugna, grandemente, a implantação de um regime totalitário, mesmo que de esquerda.

Altares de veneração a… existem por todo o lado, muito embora seja adverso a esse tipo de crença, porque “só a Deus adorarás”, mas aras para divinização de quem tão mal fez a tantos compatriotas seus…

Que país é este, de memória tão curta?...

sábado, março 03, 2007

Caixa de Pandora

Abra-se o cofre,

saltem cobras e lagartos;

soltem-se êxitos e fracassos;

libertem-se deuses e demónios;

apareça o sonho e a realidade;

venha a coragem e o medo!

Saia tudo,

(mesmo tudo!)

o que existe

e persiste

e, ainda, é

e faz do indivíduo

tal qual ele é.

Saia a miséria e a opulência;

a castidade e a luxúria;

o riso e o choro;

o prazer e a dor;

o ser e o zero;

o tudo e o nada,

porque isso

é… o Homem!!!

Eu, ó Deus,

também sou assim!...

(Do meu livro a publicar: "Sentimentos")

sexta-feira, março 02, 2007

Presente angustiado - Futuro de esperança

As pessoas não sabem o que querem ou antes querem «o Sol na eira e a chuva no nabal!» E, se assim não sucede, fazem birras, quais crianças em loja de brinquedos quando os pais lhes não dão o que desejam.

Porém, o pior deste panorama é que gente com responsabilidade, lamentavelmente, procede de igual modo. São os que por faltam de verbas esperneiam; os que por perderem a base de apoio abrem as válvulas de uma verborreia inconsistente; os que, julgando-se ofendidos, se põem a ameaçar com processos judiciais e são, finalmente, os que, por ninguém lhes ligar nenhuma, viram tamborileiros de rua fazendo um barulho de mil diabos para que escutem as suas aleivosias.

Nada disto me surpreende, pois, pouco a pouco, fui-me habituando ao constante virar de página em cada dia que passa. Todavia preocupo-me, seriamente, porque sinto que em vez de progredirmos, como seria normal, estamos a regredir e, a continuarem as coisas neste pé, corremos o risco da destruição do sonho dos capitães de Abril.

Se não fosse ter consciência do que dizem as profecias, estaria, por certo, a entrar em pânico e a arrancar todos os cabelos da cabeça. Mas não! Vamos ter de sofrer e muito, para, depois, podermos gozar (eu já não!) as delícias, conseguidas pela mediação de «um descendente filipino, do ocidente da Ibéria, que mudará o mundo para melhor, alcançando a paz.» ( Nostradamus)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O sonho e a velhice

Á medida que o homem vai “envelhecendo” – talvez seja mais apropriado dizer: amadurecendo – vai aumentando a sua sabedoria e serenidade, afirma-se com muita frequência. E há mesmo quem diga que isso se deve ao facto de, com a passagem do tempo, as pessoas “assentarem os pés no chão” deixando, de certa forma, de sonhar.

Confesso que tenho muita relutância em aceitar este último pensamento, pois acho que a sabedoria e a serenidade são fruto da concretização (ou não) de muitas coisas que só existem ou existiram porque houve, primeiramente, o sonho e, daí, o desejo de o tornar realidade.

Minha mãe – pessoa muito pragmática e… muito materialista – costumava dizer, referindo-se a mim: «tenham cuidado com ele, porque anda sempre com a cabeça nas nuvens!» Queria com isso dizer que eu era (e sou) um inveterado sonhador, o que, para ela, era um enorme defeito.

Todavia foi graças a esse “defeito”, acertando e errando imensas vezes, que fui aprendendo e evoluindo até chegar ao que sou: um velho com sabedoria e serenidade, muito embora seja, bastas vezes, assaltado por medos de incapacidade para estar e de vir a sentir, na pele e na alma, os efeitos da solidão com todo o seu vasto e pernicioso quadro de malefícios físicos e espirituais.

Mas, apesar disso, continuo a sonhar, pois, enquanto assim for, sei que estou vivo e que sou eu.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Um museu

Hoje, ao abrir a minha caixa de correio electrónico, deparei com o pedido de uma amiga, directora de um jornal regional, solicitando-me uma resposta para a pergunta: «acha que deve ser feito, em Santa Comba Dão, o Museu Salazar? Ao que respondi, simplesmente: Um Museu, sim. Mas jamais um museu com o nome e que exalte a sua figura. Um museu, sim, mas para mostrar, às gerações do pós 25 de Abril de 1974, o que foi a ditadura fascista e o quanto sofreu o povo português durante esse triste período da nossa história recente. Um museu, sim, mas não para enaltecer um homem cuja marca no passado foi repressivamente de coacção de direitos e liberdades essenciais do ser humano em Portugal. Culto dessa nefanda personalidade por quê e para quê? Será que não nos bastaram 48 anos dessa triste divinização?

Eu sei bem do que falo, pois vivi e senti na pele as consequências dum regime cruel.

Depois de ter frequentado o 1º e 2º (agora 5º e 6º) ano do (então) Curso dos Liceus no ensino particular (Escola Académica de Viseu) frequentei o Curso Geral de Comércio, na (velha) Escola Industrial e Comercial de Viseu, (hoje Secundária Emídio Navarro) como “ouvinte”, pois o então director, Dr. Carlos Damião Franco – fascista de muitos costados e “adorador do Deus Salazar” – me não deixou ir a exames sob a afirmação (falsa) de que era muito lento na prestação das provas escritas. – Triste e esfarrapada desculpa para mascarar a sua aversão aos que, por isto ou por aquilo, não pertenciam à “raça pura” ou eram contrários às suas ideias ou buscassem a igualdade e a liberdade!...

Também na aquisição de empregos o fascismo me pregou partidas, como, por exemplo: pela mão do Dr. Fernando Russel Cortez, que dizia ser “muito meu amigo”, para Animador de Acção Cultural no Museu de Grão Vasco, de que ele era Director, descobri que o meu requerimento de candidatura tinha, propositadamente, desaparecido, só voltando a ser visto, no fundo duma gaveta num armário/secretária, depois de supridas as vagas e nada já ser possível.

O que sou e o que consegui fi-lo com muito esforço, auto didacticamente, depois da “Revolução dos Cravos”.

Será preciso dizer mais alguma coisa?...