terça-feira, fevereiro 13, 2007

Dura Lex

Afinal, confirmei-o ontem, o apoio ou empenhamento a uma causa que julgamos nobre e justa, pode trazer-nos problemas de que nos arrependeremos pela vida fora. Estou a reportar-me concretamente aos mais de 10.000 subscritores que assinaram, na melhor das intenções – sublinhe-se – o requerimento de Habeas Corpus para que o sargento que, por ter “cometido o crime de amar uma criança”, se encontra preso, ser rapidamente libertado.

Pois é!... Só que esses bem intencionados subscritores podem vir a ter de pagar 480 € de custas judiciais. Simplesmente surrealista!!! E como são mais de 10.000 isso vai levar aos cofres da Justiça cerca de 6 milhões de euros. Fabuloso, sem dúvida!!!

Isto dito assim, friamente, até pode dar vontade de rir. Mas, meu Deus! Quantos milhares de subscritores, nem isso recebem de pensão de reforma e ou de invalidez!!!

Confesso não ter tido acesso ao dito documento e, por isso, não o assinei, logo não estou preocupado com a consequência vinda agora a lume, todavia estou solidário com quantos honestamente e – repito – na melhor das intenções apuseram a sua marca pessoal naqueles papeis.

Moral da história: já não se pode ser bom!...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Património Cultural a salvar

Acocorado no chão, com uma colher de rebocador de paredes, numa das mãos, escarafunchava o solo endurecido pelo séculos e, com uma trincha de pintor, na outra, limpava, cuidadosamente, a terra agarrada a uma fíbula de bronze, provavelmente, arrancada a um soldado romano, numa das muitas emboscadas que a guerrilha lusitana promovia ao invasor.
Foi assim que o conheci. Estava-se nos finais dos anos setenta do século passado. Procedia-se às escavações do Castro da Cárcoda, ali para as bandas de Carvalhais. Os trabalhos orientados pelo arqueólogo Monsenhor Dr. Celso Tavares, coadjuvado pelo Dr. Inês Vaz e por ele, Dr. Alberto Correia, decorriam, com a ajuda de estudantes voluntários, proveitosamente para a descoberta do passado da nossa região.
Bem longe estávamos, nesse dia, de pensar que, a partir daí, havíamos de consolidar uma amizade que perdura, há mais de trinta anos. Três décadas em que a cultura se foi escoando, como areia por entre os nossos dedos, mas deixando no chão um montículo que atestará, de forma perene, a nossa passagem por esta cidade e por este Mundo, muito especialmente o Dr. Alberto Correia cujas obras têm um fôlego tão grande quanto a sua alma de homem bom.
Vem isto a propósito da publicação do seu livro “As Arcas da Memória” em que, no seu estilo poético de contar as lembranças da sua meninice, lega aos vindouros o espólio etnológico do passado (quase presente), o qual está já em vias de acelerada extinção e, por isso, em eminente perigo de perda total.
Dizia eu, ontem, a alguém: Que bom é haver, em Viseu, um Alberto Correia com “As Arcas da Memória” e eu próprio com “As minhas e as estórias deles” (a publicar quando alguma editora o quiser fazer) para que todo um riquíssimo acervo se não perca, pois isso seria uma catástrofe cultural de que a região teria, eterna e amargamente, de se penitenciar, com enorme raiva e ranger de dentes.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Assim NÃO

Uma rábula dos "Gato Fedorento", hilariante.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Paz

Há dias fui visitar pessoa amiga que me apresentou um cavalheiro que disse andar já, há algum tempo, a ver se entrava em contacto comigo, pois tem intenção de criar uma Associação cujo principal objectivo será a luta pela moralização da sociedade em várias matérias, como a justiça social e o equilíbrio emocional da sociedade tendo em vista diminuir assimetrias e acabar com a guerra.

Achei o projecto interessante, mas, após breves minutos de conversação, verifiquei, com certo espanto, que o bom do homem, independentemente da sua enorme boa vontade, não tinha quaisquer ideias definidas, muito menos conceitos firmes e plausíveis sobre o que é a sociedade, nem sobre o que é ou não é a moral, também não sabendo o que é a paz, já que, para si (creio-o) como para muita gente, esse bem precioso da humanidade é “a ausência da guerra bélica”. O que, de facto, não é.

Paz não é, não pode ser nunca, a ausência de batalhas mediáticas com tiros, facadas ou murros entre facções desavindas. Paz é o sentirmo-nos bem connosco e com os outros. Mas isso implica uma permanente e custosa luta travada na nossa mente e no nosso espírito, o que pressupõe e exige constantes e complicadas mudanças na nossa maneira individual de ser e de estar.

Cristo tinha razão quando disse que não veio ao mundo trazer a paz. E é verdade, os pais estão contra os filhos, irmãos contra irmãos, vizinhos contra vizinhos etc., porque a busca e o encontro connosco mesmos, impõe uma imensa luta dentro de nós e leva a que, permanentemente, conflituemos no nosso íntimo e, por arrasto, com quem nos rodeia. Porém esse constante conflito, dentro de cada um, é salutar, muito salutar mesmo, porque leva ao conhecimento próprio e dos outros e… daí, ao bem-estar espiritual, numa palavra: á Paz.

Se estiver errado, digam-mo, que eu agradeço.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Fazer anos...

«Se eu algum dia morrer…» dizia o meu amigo e poeta repentista Azevedo Pinto (Rijo). Por outro lado, meu tio-bisavô António de Lemos – segundo me contou minha avó materna –, dizia que o bom era atingir a primeira machadinha (70) e quando se chega ás duas machadinhas (77), é sinal que se está já de provecta idade.

Começando pelo segundo pensamento, direi que ele me faz feliz, pois me dá um novo estatuto na sociedade. Tornei-me, a partir de hoje que atingi a primeira machadinha, um “ancião”, o que me torna – de acordo com as culturas mais tradicionais – num homem carregado de vivências e, por isso, pleno de sabedoria. Será?

Quanto ao primeiro pensamento – refere-se as questões da continuidade após a morte –, direi que também me satisfaz, uma vez que a minha perpetuidade fica assegurada pelo meu filho e pelos meus escritos, publicados uns, á espera outros da coragem de um editor que os punha acessíveis a público.

Fazer anos é fácil e é bom, todos os anos fazemos um, mas fazer com a alegria de nos sentirmos bem na pele que deus nos deu é, ainda, melhor!