terça-feira, fevereiro 06, 2007

Paz

Há dias fui visitar pessoa amiga que me apresentou um cavalheiro que disse andar já, há algum tempo, a ver se entrava em contacto comigo, pois tem intenção de criar uma Associação cujo principal objectivo será a luta pela moralização da sociedade em várias matérias, como a justiça social e o equilíbrio emocional da sociedade tendo em vista diminuir assimetrias e acabar com a guerra.

Achei o projecto interessante, mas, após breves minutos de conversação, verifiquei, com certo espanto, que o bom do homem, independentemente da sua enorme boa vontade, não tinha quaisquer ideias definidas, muito menos conceitos firmes e plausíveis sobre o que é a sociedade, nem sobre o que é ou não é a moral, também não sabendo o que é a paz, já que, para si (creio-o) como para muita gente, esse bem precioso da humanidade é “a ausência da guerra bélica”. O que, de facto, não é.

Paz não é, não pode ser nunca, a ausência de batalhas mediáticas com tiros, facadas ou murros entre facções desavindas. Paz é o sentirmo-nos bem connosco e com os outros. Mas isso implica uma permanente e custosa luta travada na nossa mente e no nosso espírito, o que pressupõe e exige constantes e complicadas mudanças na nossa maneira individual de ser e de estar.

Cristo tinha razão quando disse que não veio ao mundo trazer a paz. E é verdade, os pais estão contra os filhos, irmãos contra irmãos, vizinhos contra vizinhos etc., porque a busca e o encontro connosco mesmos, impõe uma imensa luta dentro de nós e leva a que, permanentemente, conflituemos no nosso íntimo e, por arrasto, com quem nos rodeia. Porém esse constante conflito, dentro de cada um, é salutar, muito salutar mesmo, porque leva ao conhecimento próprio e dos outros e… daí, ao bem-estar espiritual, numa palavra: á Paz.

Se estiver errado, digam-mo, que eu agradeço.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Fazer anos...

«Se eu algum dia morrer…» dizia o meu amigo e poeta repentista Azevedo Pinto (Rijo). Por outro lado, meu tio-bisavô António de Lemos – segundo me contou minha avó materna –, dizia que o bom era atingir a primeira machadinha (70) e quando se chega ás duas machadinhas (77), é sinal que se está já de provecta idade.

Começando pelo segundo pensamento, direi que ele me faz feliz, pois me dá um novo estatuto na sociedade. Tornei-me, a partir de hoje que atingi a primeira machadinha, um “ancião”, o que me torna – de acordo com as culturas mais tradicionais – num homem carregado de vivências e, por isso, pleno de sabedoria. Será?

Quanto ao primeiro pensamento – refere-se as questões da continuidade após a morte –, direi que também me satisfaz, uma vez que a minha perpetuidade fica assegurada pelo meu filho e pelos meus escritos, publicados uns, á espera outros da coragem de um editor que os punha acessíveis a público.

Fazer anos é fácil e é bom, todos os anos fazemos um, mas fazer com a alegria de nos sentirmos bem na pele que deus nos deu é, ainda, melhor!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Época medieval

Num debate televisivo, escritora famosa e mui distinta deste país, para defender sua posição e ideologia, referiu que, em tempos, uma sua amiga alemã lhe disse, pejorativamente, que a mentalidade portuguesa (as palavras não foram estas, mas o sentido sim) era ainda da época medieval.

Sucede, entretanto, que quem só vê na época medieval o lado negativo, como por exemplo as cruzadas e o conceito religioso excessivamente discriminativo, demonstra total desconhecimento desse período.

É que foi durante a chamada Idade Media que se desenvolveram as técnicas da construção, vejam-se as grandes e belas catedrais góticas; os magníficos e robustos castelos; as cidades envolvidas por poderosas muralhas. Anote-se, também, que foi nesse período que, em Portugal, se desenvolveu a utilização dos recursos hídricos, através da proliferação dos moinhos de água trazidos – diz-se – pelos fenícios e os de vento aperfeiçoados pelos árabes. Também na idade média começaram a surgir as primeiras máquinas de relojoaria (o Convento franciscano de Orgens, perto de Viseu, tem um relógio do século XIV que, mormente as inúmeras reparações que já sofreu, teima em continuar a bater as horas). Foi, ainda durante a época medieval que Copérnico desenvolveu os seus estudos sobre astronomia que, pouco depois, deram a Galileu as bases para as suas teorias. No campo das artes refira-se que foi nesse período que surgiram os elementos estruturais que abriram caminho ao renascentismo. E etc., etc., etc. os exemplos são tantos que não cabem na simples postagem de um blog. Haja, por isso, decoro e contenção nas afirmações que se atiram irreflectidamente para o ar!

sábado, janeiro 27, 2007

É preciso mudar

Há dias li – numa revista sobre ciência, que, religiosamente, compro mensalmente, para tentar, mormente os meus 70 Invernos, a completar na próxima 5ª feira, dia 1, manter-me actualizado e, mentalmente, em forma – esta frase sublime do Dalai Lama: «Entender a natureza da realidade é possível através da investigação critica: se a análise científica demonstra, de forma conclusiva, que determinadas afirmações do Budismo são falsas, devemos abandonar esses conceitos.»

Para um líder religioso tal forma de pensamento revela que é um homem humilde, mas sobretudo corajoso e muito honesto. Na verdade, ele despe-se de fanatismo balofo e fundamentalista para dar lugar a um indivíduo carregado de bom senso, sem trair a força da sua crença religiosa ou modo de estar no mundo e na vida.

Quando nos mostram que um pau não é uma pedra, é preciso encarar, com todo o bom senso, essa verdade e mudar modos de pensamento e acção e não teimar, estúpida e fanaticamente, no erro, como fazem muitos lideres religiosos e políticos por esse mundo fora. Daí surge a violência verbal, física e psicológica sobre quem tem a ousadia de ter outros conceitos e outras posturas. Foi por isso que surgiu, num passado não muito distante, a Inquisição que envergonha a igreja católica e os seus fiéis. É por isso que existem organizações terroristas que causam o pânico em muitos lugares e a multidões de seres humanos.

Ninguém é perfeito, bem o sabemos, mas é preciso, é urgente modificar – tal como o subentendeu o Dalai Lama – tudo aquilo que reconhecemos ser um erro e, desse modo, mudarmos nossas atitudes a bem de nós mesmos e de quantos, connosco, calcorreiam este nosso conturbado planeta.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Mudar é preciso

As pessoas, com o tempo e com a aprendizagem que o mesmo traz, vão mudando seu pensamento e forma de acção. Pelo menos será essa a análise que se tira com o correr dos anos. Mas ao que parece, nem sempre assim sucede e há muito boa gente – e até dirigentes de instituições – que, por orgulho e sobretudo falta de humildade (eu próprio, algumas vezes, também sou acometido por esse pecado), ainda se não deram conta das mudanças e teimam em fazer, como sempre fizeram.

Camões dizia, e muito bem, que «o mundo é feito de mudança» e, sendo assim, há que entender e caminhar, decididamente, no meio das alterações com que não contávamos e a que não estamos ainda habituados, pois viemos de outro século com outras vivências e com outros (pre)conceitos. Mas isso, não pode, nem deve, de modo algum, levar a que nós, os mais velhos, estejamos sempre a lamentar-nos: “Ai, no meu tempo…”

O passado já lá vai e a cada instante é presente. Vivamos, por isso, com força todas as vicissitudes do presente – embora ele se nos apresente dolorosamente trágico – e sigamos – com muita coragem e, se possível, muito bom humor – rumo ao futuro, na legítima esperança de que o Sol raiará, brilhante e formoso, para a humanidade do porvir e não para nós, pois o não merecemos, visto que só temos cometido e continuamos a cometer erros, sobre erros, alterando o equilíbrio universal da Natureza, pondo em risco a sequência harmoniosa do Planeta Azul que é, afinal, «a nossa casa», digo: única casa.