segunda-feira, janeiro 08, 2007

A Monsenhor Bento da Guia

Ao tomar conhecimento – muito tardiamente – do falecimento de Monsenhor Bento da Guia, em Moimenta da Beira, veio-me à memórias a longa conversa que tive com ele, uns meses antes do Centenário do Nascimento de Aquilino Ribeiro, em que ele me indicou o Padre Cândido de Azevedo de Sernancelhe, para obter as pistas necessárias à identificação do lugar em que o grande escritor português havia nascido.

E foi graças à prestimosa ajuda desses dois grandes estudiosos das “Terras do Demo” que me foi possível chegar à conclusão – como publiquei na altura, que Aquilino não nascera, como é voz corrente, em Carregal da Tabosa, mas, sim, no velho e arruinado Convento da Tabosa, distante dali uns três quilómetros, onde uma das ultimas freiras residentes o aparou na hora de vir ao mundo.

Ao falar de Monsenhor Bento da Guia é-me lícito referir que Mestre Aquilino tinha por ele grande estima e consideração a ponto de – como confidenciou, certa vez – um dos últimos faunos do livro “Andam Faunos pelos Bosques” ter sido hipoteticamente inspirado na pessoa de Bento da Guia, o qual, ao que consta, não gostava nada de tal comparação, pois parece-nos se não coadunava nada com a personalidade do ilustre sacerdote.

Onde quer que esteja, eu tiro o chapéu, numa reverência de muita estima e amizade, ao grande investigador, pedagogo e cidadão que foi Monsenhor Bento da Guia!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

O jogo das palavras

As palavras são filhas da mente humana e, por isso, logo que proferidas ficam sujeitas à interpretação do ouvinte que – consoante a sua cultura ou os seus princípios morais ou, ainda, os seus interesses pessoais – lhes dá o mérito que lhe convém e não aquele que o emissor pretendia e, naturalmente, seria seu desejo.

Vem isto a propósito de um sonho que tive esta madrugada em que, não sei onde, nem porquê, nem como, nem para quê, eu tinha de fazer o discurso de encerramento do tal misterioso evento e, porque na altura em que chegou a hora “de deitar bocas” – como soa, em gíria, dizer-se – estavam já só algumas pessoas na sala, comecei agradecendo «aos valorosos guerreiros que brava e empenhadamente tinham levado o combate ate ao fim, pois mais valia poucos e bons do que muitos e ruins…» enfim, trivialidades que tantas vezes se atiram ao ar e não se sentem.

No final, uma senhora com forte pronúncia italiana, toda abespinhada veio a mim dizendo que a ofendera «porque chegara só na hora do meu discurso, mas viera, pronta para o que fosse preciso». Arrogantemente – reconheço-o agora – ripostei que «combatentes voluntários de fim de batalha não são precisos para nada.» Esqueci-me eu que é depois dos temporais que todos os braços são necessários para a reparação dos estragos e que toda essa força de reconstrução tem de actuar em uníssono num só objectivo: o bem-estar de todos no futuro.

Futuro? Qual é o futuro de Portugal se não há concentração de esforços num só objectivo? Será que mesmo no meio da crise que vivemos, ainda se luta pelo poder? Ó Meu Deus! Assim, onde vamos parar?...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Nada pode passar sem fiscalização

Por alturas de festas sempre se cometem alguns exageros alimentares e, até, sociais, de que resultam algumas consequências, umas vezes graves outras muito ligeiras que não passam, meramente, de incómodos de somenos importância. Foi o que me aconteceu ao comer umas filhós que, vim mais tarde a saber, haviam sido fritas em óleo demasiadamente usado.

Este incidente que me fez passar um dia inteiro de cama, com náuseas e diarreia constante e incontrolável, recordou-me o que acontece quando, por necessidade da vida, temos de recorrer à alimentação num restaurante. Na realidade, nunca se sabe se no fim da refeição não poderemos vir a ter problemas gástricos desagradáveis.

Queixam-se muitos proprietários de estabelecimentos de hotelaria do “exagero” – dizem eles – posto nas inspecções dos serviços de fiscalização de actividades económicas. Se com os ditos “exageros”, mesmo assim comemos o que não devíamos, o que seria, (Deus meu!) se nada fosse feito?!...

Em matérias que impliquem a saúde e o bem-estar dos cidadãos, não há que ser brando, nem condescendente, o que tiver de ser feito, faça-se! Doa a quem doer! È preciso estarmos bem atentos a tudo. A ganância impera por todo o lado, sem quaisquer escrúpulos, pois – para eles – o importante é enriquecer rapidamente.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Ano Novo

Ano Novo, vida nova!

Como se há

Desemprego

Angústia,

Solidão,

Dor sentida,

Doença de corpo

Padecimento de alma,

Mil ódios

E guerras,

Guerras espalhadas

No tempo

E no espaço?

Ano Novo, vida nova!

Lute-se por isso,

Com afinco,

Convicção,

E esperança

Até que o físico

E a alma doam

E seremos dignos

De um futuro profético

De paz e amor.

E seremos, então,

Apelidados

De Bem-aventurados!

Ano Novo, vida nova!

Glória a Deus

Nas Alturas

E paz na Terra

Aos homens por Ele amados!...

terça-feira, dezembro 26, 2006

Ano Novo

Ano Novo, vida nova! – Dizia-se antigamente. Hoje essa asserção parece não ter qualquer cabimento, pois nada é novo e nada nos tranquiliza quanto ao dia de amanhã. Quem ainda tem um emprego não pode pensar em mudar, porque corre o grande – direi – o enorme risco de não voltar a arranjar outro e o desemprego ser o seu indesejado destino.

Ano Novo, vida velha! – Dir-se-á nos dias que vivemos. Porque, de contrário, surgem os medos e as dúvidas do desemprego, da fome, da doença, da incompreensão, da intolerância, da solidão, de falhar nisto ou naquilo e sei lá que mais. O mundo dos nossos dias é feito de medos e de total incerteza.

Sonhar continua a ser fácil, mas concretizar os sonhos é que passou a ser tremendamente mais difícil, se calhar muito mais difícil do que ganhar no “Euro milhões”, pois, aí, anda vai havendo quem consiga obter chorudas maquias, que, a mais das vezes, não sabe gerir.

Ano Novo, vida nova! Sim, na luta pela mudança, pela construção de um mundo sem dúvidas e sem medos, sem fome, sem doença, sem angústias de solidão, sem ódios e sem guerras: um mundo de fraternidade, amor e paz; um mundo – como refere o Apocalipse – «em que a Besta ficará amarrada por mil anos.»

Espero e acredito, convictamente – embora já cá não esteja para ver, porque a irmã morte me levará um pouco antes – que as profecias se vão cumprir integralmente conforme o que está escrito. Eu não sou “velho do Restelo” e creio no futuro e nas novas gerações!