segunda-feira, dezembro 11, 2006

Atitudes dispares

Morreu o velho ditador Augusto Pinochet.

Até aqui nada de novo. Os homens por velhice ou por doença morrem. A lei da vida é exactamente essa. Tudo o que nasce morre, mais cedo ou mais tarde.

No entanto a morte do ditador Chileno revestiu-se de uma característica que a mim me pareceu nada comum e sobretudo de grande negativismo mental (ia a dizer comportamental). Enquanto uns –muito poucos – choravam o caudilho, outros – muitos milhares – festejavam alegremente o seu desaparecimento do mundo dos vivos.

Por quê tais atitudes? O homem há muito que já nada podia, nem fazia por ou contra o povo e o país. Tinha – há bastante tempo – “arrumado as botas”, como se usa dizer. Não era esperança para ninguém, Mas, também, não constituía perigo para quem quer que fosse.

Por isso, acho eu, (ás vezes sou tão estúpido…) qualquer dos comportamentos revela uma certa alienação mental, deveras comprometedora de uma democracia em desenvolvimento como me parece ser o caso do Chile, porque são verdadeiramente demonstrativos da dúvida reinante nas mentes dos que choravam e dos que riam. Afinal, ambos os grupos revelavam insegurança e incerteza no seu futuro e no futuro do seu país.

É aqui que reside o negativismo das duas alienadas atitudes. Uns choravam saudosisticamente, talvez na esperança de um retorno ao mau passado da ditadura do velho general; outros jubilavam possivelmente na esperança de que, sem o ditador, possam mudar as coisas para si e para os seus.

Uns e outros cometiam o erro do seu pensamento mal formulado e indefinido, totalmente fora da conjuntura política da sua pátria, tão martirizada ao longo dos séculos. Se os primeiros carpiam benefícios gozados no passado recente, os segundos dançavam com o sonho de virem a sentir o prazer de um utópico viver sem sacrifícios. Não restam dúvidas. Ambas as facções mostraram não ter noção do seu porvir, o qual não é feito de meras manifestações de pesar ou de jubilo, mas, tão somente, do dar de mãos e do arregaçar de mangas, avançando para um trabalho árduo, doloroso e convicto de construção de valores e princípios que urge (re)encontrar.

Felizmente – ao que nos foi dado ver, pelas televisões – não foi o país inteiro que assim procedeu, foram – cremos – apenas duas minorias sociais que carecem ainda de dar passos rápidos e largos na aprendizagem e na vivência democrática e que precisam, também, de muito esclarecimento social e humano.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Até parece vqaue vão haver eleições...

Em que país estamos, meu Deus?!...

Os governantes portugueses não entendemos se foi por ignorância, se por interesse propagandístico, (não estamos em período eleitoral) deram-se a anunciar 95 (ena pá, tantas!) medidas para benefício dos cidadãos com deficiência. Louvores se dêem, por isso! Só que o reverso da medalha é bem diverso deste discurso triunfalista.

Leis há-as “a dar com um pau” – como soa dizer-se – e todas são para beneficiar a pessoa com deficiência, se calhar até não seriam precisos tantos diplomas legais e, sim, que se cumprissem cabal e efectivamente todos aqueles que, na realidade, são claramente úteis e satisfazem os fins para que foram feitos. O mal é que, uma grande quantidade de leis, não é cumprida ou é anulada, estupidamente, por outra que a deixa sem qualquer efeito.

Nós, as pessoas com deficiência, não queremos esmolas, nem favores de “caridadezinha” eleiçoeira, queremos é que nos facilitem a vida e nos garantam o direito ao ensino, saúde, trabalho, justiça, (por que não?) ao lazer e a tudo quanto nos valorize como seres humanos, que não deixamos de ser mormente as nossas limitações físicas, mentais e psicológicas.

Espero que dessas tais 95 medidas a favor do cidadão com deficiência todas sejam realmente benéficas e não apenas actos de fachada, qual fogo de artifício que é lindo quando estoira, mas que, depois, nada mais deixa senão uma ténue e agradável imagem no fundo da nossa memória.

“Vamos a ver!” – como diria um cego.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Vem aí o Natal

Está ai o Natal,
Os homens têm de se imbuir do Espírito Natalíciom e seguir com ele por diante p0ara que o Mundo se torme mais saudável e belo, porque mais cheio de fraternidade e de paz. É preciso, é urgenta abrir cotrações e gritar : Glória a Deus nas Alturas e Paz nsa Terra aos homens, a todos os homens!

Sonhar é preciso

Um homem marcha na bruma dos dias e vai convicto que há-de atingir a luz do sol brilhando sobre a água azul do mar.

Se não fosse o sonho a vida seria fastidiosa e melancólica. Nunca haveria um único momento de esperança e não valeria a pena viver. O que dá ao homem força para prosseguir é o pensar sempre que o dia de amanhã irá ser bem melhor do que o de hoje. É a eterna esperança, o perene sonho.

Mas, infelizmente, a realidade não é assim tão linear. Há muitos escolhos pelo caminho, muitas manhãs enevoadas e muito sofrimento para subsistir. E pior que tudo, há também a quebra de paciência na espera do tal lugar ao sol tão desejado por todos e por cada um em especial e surge o desânimo, a frustração, a desistência de ser e de estar. Os divórcios, os suicídios e a perda da auto-estima são uma constante daqueles que já não têm força para lutar e sonhar e ir em frente, sempre na busca da felicidade, que está dentro deles, nem que seja só o lampejo de um brevíssimo instante.

Faz hoje, 4 de Dezembro de 2006, quarenta e um ano que me casei. E não sei quantos mais farei ainda. Mas sei, isso sim, que, apesar de terem sido quatro décadas difíceis, por razões de toda a ordem, continuamos de mão dada a enfrentar as vicissitudes da vida porque o sonho não morreu e continuamos a sonhar com o Sol e com as delícias do seu calor a aquecer o nosso corpo e a nossa alma.

Vamos em frente com muita esperança!

Natal à porta

Como o tempo passa!... Anda ontem foi Ano Novo e já estamos outra vez a “dois dias” do Natal! É princípio de Dezembro, mas os comerciantes e os industriais já preparam sortidos e estudam técnicas de venda para essa época festiva do ano.

Natal é nascimento dum ser humano. É o surgir de uma vida preciosa. O Homem não tem preço, a sua dimensão é algo que o transcende e lança no cosmo, igualando-o e dando-lhe – como refere o texto bíblico – similitude divina. Natal é todos os dias e a todas horas, «é – diz o poeta – sempre que nasce uma criança do ventre de uma mulher.» Mas Natal é – também – uma efeméride que o calendário Gregoriano regista, todos os anos, em 25 de Dezembro (embora a ciência actualmente afirme, fazendo análise à história e seguindo os novos dados da astronomia, ter sido a 19 de Setembro), para assinalar o nascimento de uma criança que “revolucionou” o pensamento e a conduta de muitos homens do seu tempo e de imensos outros que vieram depois.

E essa criança desejada e anunciada, desde há muitos séculos, pelos profetas; amada, na hora do seu nascimento, pelos humildes e puros de coração, dizem os evangelhos; procurada, ciosamente, pelos “magos” da altura que souberam ver, (provavelmente) na conjunção de planetas, o indício de uma nova era religiosa nas sociedades humanas e odiado pelos poderosos, desse tempo e das gerações que se lhe seguiram, que consideravam como subversivos os seus ensinamentos, perseguindo todos aqueles que entendem ser boa linha de conduta lutar pelas causas justas que conduzam à igualdade, fraternidade e liberdade de todos os homens, num verdadeiro sentido de construção de um mundo melhor.

Essa criança – repete-se –, humanamente igual a todas as outras, cresceu e foi Homem e foi dínamo de novas energias, duma nova força filosófica, social, económica e religiosa. Esse homem – génio diferente de quantos pisaram a Terra antes e depois dele – foi a prova acabada da similitude com o próprio Deus, porque, tal como nós, partícula indivisível dessa mesma Energia Universal, ainda que a “centelha” (Dele) fosse bem mais intensa que a de cada um de nós. Essa criança a quem chamaram de Emanuel, Messias, Jesus e Cristo era, para além da enorme essência divina de que estava imbuído, sobretudo, um homem bom que amava todas as coisas e todos os seres viventes e que sofria, numa solidariedade inultrapassável, as dores de todos os oprimidos e, por isso, condoído, dava conforto, lenitivo e “cura”, pela sua enorme capacidade psíquica, às maleitas físicas, mentais e espirituais de quem dele se abeirava.

Natal é o acto de dar sem condicionalismos, nem demora. É Amar e Viver a alegria própria e a dos que estando carentes, numa solidão sem culpa, sentem e sabem que ainda existem almas capazes de lhes enviarem uma flor, uma fatia de bolo, um agasalho para os rigores do Inverno e, quanto mais não seja, um simples, mas muito terno, beijo ou uma palavra plena de afecto e sinceridade. Natal é pensar nas pessoas com deficiência carecidas de apoio, nos idosos que chegaram ao fim de suas vidas de mil canseiras pobres e abandonados, nas crianças famintas de pão, de carinho e de amor. Mas... Natal não pode ser esmola, nem nada que se lhe pareça. Natal não pode ser filantropia de instituições de benemerência, nem de clubes de serviços com gente bem instalada na vida, mas árida de vivências que não sejam a sua futilidade.

Natal é ser Homem – em toda a dimensão do termo – é entender, viver e sofrer com o próximo as suas angústias e dores. Natal é – numa palavra – Amor! Amor todos os dias e a todas as horas!