segunda-feira, dezembro 04, 2006

Natal à porta

Como o tempo passa!... Anda ontem foi Ano Novo e já estamos outra vez a “dois dias” do Natal! É princípio de Dezembro, mas os comerciantes e os industriais já preparam sortidos e estudam técnicas de venda para essa época festiva do ano.

Natal é nascimento dum ser humano. É o surgir de uma vida preciosa. O Homem não tem preço, a sua dimensão é algo que o transcende e lança no cosmo, igualando-o e dando-lhe – como refere o texto bíblico – similitude divina. Natal é todos os dias e a todas horas, «é – diz o poeta – sempre que nasce uma criança do ventre de uma mulher.» Mas Natal é – também – uma efeméride que o calendário Gregoriano regista, todos os anos, em 25 de Dezembro (embora a ciência actualmente afirme, fazendo análise à história e seguindo os novos dados da astronomia, ter sido a 19 de Setembro), para assinalar o nascimento de uma criança que “revolucionou” o pensamento e a conduta de muitos homens do seu tempo e de imensos outros que vieram depois.

E essa criança desejada e anunciada, desde há muitos séculos, pelos profetas; amada, na hora do seu nascimento, pelos humildes e puros de coração, dizem os evangelhos; procurada, ciosamente, pelos “magos” da altura que souberam ver, (provavelmente) na conjunção de planetas, o indício de uma nova era religiosa nas sociedades humanas e odiado pelos poderosos, desse tempo e das gerações que se lhe seguiram, que consideravam como subversivos os seus ensinamentos, perseguindo todos aqueles que entendem ser boa linha de conduta lutar pelas causas justas que conduzam à igualdade, fraternidade e liberdade de todos os homens, num verdadeiro sentido de construção de um mundo melhor.

Essa criança – repete-se –, humanamente igual a todas as outras, cresceu e foi Homem e foi dínamo de novas energias, duma nova força filosófica, social, económica e religiosa. Esse homem – génio diferente de quantos pisaram a Terra antes e depois dele – foi a prova acabada da similitude com o próprio Deus, porque, tal como nós, partícula indivisível dessa mesma Energia Universal, ainda que a “centelha” (Dele) fosse bem mais intensa que a de cada um de nós. Essa criança a quem chamaram de Emanuel, Messias, Jesus e Cristo era, para além da enorme essência divina de que estava imbuído, sobretudo, um homem bom que amava todas as coisas e todos os seres viventes e que sofria, numa solidariedade inultrapassável, as dores de todos os oprimidos e, por isso, condoído, dava conforto, lenitivo e “cura”, pela sua enorme capacidade psíquica, às maleitas físicas, mentais e espirituais de quem dele se abeirava.

Natal é o acto de dar sem condicionalismos, nem demora. É Amar e Viver a alegria própria e a dos que estando carentes, numa solidão sem culpa, sentem e sabem que ainda existem almas capazes de lhes enviarem uma flor, uma fatia de bolo, um agasalho para os rigores do Inverno e, quanto mais não seja, um simples, mas muito terno, beijo ou uma palavra plena de afecto e sinceridade. Natal é pensar nas pessoas com deficiência carecidas de apoio, nos idosos que chegaram ao fim de suas vidas de mil canseiras pobres e abandonados, nas crianças famintas de pão, de carinho e de amor. Mas... Natal não pode ser esmola, nem nada que se lhe pareça. Natal não pode ser filantropia de instituições de benemerência, nem de clubes de serviços com gente bem instalada na vida, mas árida de vivências que não sejam a sua futilidade.

Natal é ser Homem – em toda a dimensão do termo – é entender, viver e sofrer com o próximo as suas angústias e dores. Natal é – numa palavra – Amor! Amor todos os dias e a todas as horas!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Preguiça ou outra ocupação

A preguiça é um dos defeitos que mais me atinge, e tanto assim é que, creio, se eu fosse um pouco mais diligente possivelmente teria realizado, ao longo da vida, coisas bem mais espectaculares e, se calhar, muito úteis à humanidade.

Depois deste parágrafo, os meus leitores habituais de certeza que estão já a pensar que, ao longo desta semana, por não ter metido neste espaço novo comentário, estive a preguiçar. Pois enganam-se redondamente! O que se passou é que andei toda a semana em bolandas a correr daqui para ali, na tentativa (ainda não sei se falhada) de ajudar pessoas com deficiência e com problemas graves do ponto de vista económico, social, habitacional e humano.

Mas não só, porque também me ocupei a preparar para o prelo um romance que muito gostaria de ver publicado. Esta última tarefa, não sendo muito cansativa (pelo menos para mim) não deixa, no entanto, de ter o seu quê de ocupação e… de preocupação. Só os grandes com um nome feito e uma máquina há muito construída, tem portas escancaradas nas editoras, nem que seja para porem, em letra de forma, uns tantos disparates e não menos trivialidades que, afinal, acabam por ser vendidas quase como os tremoços nas festas de Verão das nossas aldeias.

Assim vai a cultura em Portugal!...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Desejo do Poeta

O Poeta e pintor Mário Cesarini de Vasconcelos, um dos fundadores, em Portugal, do surrealismo, morreu. Afinal os artistas, grandes ou pequenos, embora sendo o condimento que dá sabor à vida das comunidades em que estão inseridos, também morrem! Todos morremos!

Por isso eu escrevi, para mim e para todos os poetas que me antecederem e me sucederem nessa hora sublime de libertação espiritual, o poema que se segue e que intitulei “Desejo do Poeta”:

Quando o poeta morrer,

não chorem quem vai no ‘squife.

Aplaudam a sua obra,

batam palmas, muitas palmas”[1]

e leiam os versos seus!

O poeta não quer flores,

ou tochas na sepultura,

pois se sente agraciado

por lerem os seus escritos

com empenho e muito amor.

Batam palmas, muitas palmas,

na hora do funeral!

O poeta viverá

no seio do seu legado

doado com sentimento.

Por isso, ó humanidade,

bate palmas, muitas palmas.

- Lembra-o p’la Eternidade!



[1] - Salmos

quinta-feira, novembro 23, 2006

Evoluir para solucionar

Aprendi, na infância, que o honrar a palavra dada era uma das grandes virtudes de qualquer pessoa respeitável. E isto era tão evidente que os empregados de meu avô materno diziam dele que «quando o Augusto Cardoso dá a sua palavra, nem que se mije, mas não volta atrás!» No entanto, mormente essa sua faceta de honradez, era também uma pessoa que sabia adaptar-se às mudanças da história e da sociedade em que estava inserido evoluindo positivamente segundo a conjuntura de cada momento, porque, dizia-me ele, «só os burros é que não mudam. Para melhor muda-se sempre, até que daí se possa vir a perder popularidade e vantagens económicas ou sociais!»

Parece-me hoje, que já passaram quase seis décadas, que aquele meu avô, apesar de ter sido homem de poucas letras, não deixava, à sua maneira, de ser um sábio. E, talvez por isso, eu me lembre tão carinhosamente dele como, aliás, do outro avô e das duas avós que tão bem me queriam e me fizeram. Deus os tenha a todos na sua guarda!

Ser homem digo eu – olhando para o passado – é ser-se capaz de honrar compromissos, mas também ser suficientemente inteligente para evoluir discernindo o bem e o mal, de cada instante, virando o espelho do sextante de acordo com a mudança de ângulo solar no horizonte visual.

Vem isto tudo a propósito das políticas da ministra da Educação e do ministro da Saúde, pois, pelo que nos é dado observar, parece-nos que estas pessoas não estão abertas ao que as envolve e, daí, não são capazes de evoluir, pensando nos outros, nos que choram as dores de uma instabilidade profissional e social permanente. Não honram a sua palavra de democratas e de socialistas ou seja: não se abrem à dor dos outros e, como burros teimosos, continuam na asneira e no ostracismo mental de que são feitos.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Preocupação de um homem

Todos sabemos que o mar tem peixes, tem algas, tem mamíferos e outras bichezas importantes à vida dos homens, mas, infelizmente, numa ganância voraz que tudo come e tudo destrói, esquecemo-nos que a vida – toa a vida – precisa de tempo para se reproduzir e ser, já que nada aparece completo e adulto.

Eu sei que bastantes pessoas e instituições ou organizações, por esse mundo fora, se preocupam com isto. Porém também sei que há quem só veja o deus Dinheiro e não têm escrúpulos em fazer das águas um verdadeiro caixote de lixo.

Que tens tu a ver com isso? Perguntar-me-ão. E quem és tu para vires com tal discurso?

É claro que, como o peregrino do Frei Luís de Sousa de Almeida Garret, «não sou ninguém. Ainda assim, não deixo de ser um dos biliões (julgo que seis) de residentes que gozam das instalações desta casa chamada Planeta Terra. Por isso, tal como qualquer outro residente, tenho direito de, à minha maneira, gritar, com revolta e indignação, toda a preocupação que me enche a alma e desse modo recomendar à entorpecida humanidade que, em conjunto ou individualmente, tudo faça e diga afim de que ninguém se quede com os braços cruzados a olhar, estupidamente, para a destruição que nos envolve e urge fazer parar.

Eu grito. Os outros (todos) façam o mesmo e o Mundo será salvo para bem das gerações vindouras! O tempo urge e há que avançar sem temores, nem «parece mal» de que nos arrependeremos. Abaixo o “política ou socialmente correcto”!...