quarta-feira, novembro 15, 2006

O mundo e o Homem

Há quem diga que as coisas não vão bem no Mundo dos nossos dias. Não contesto porque o que está à vista escusa candeia, como diz o povo.
Mas o que é afinal que não está bem? O Mundo ou Homem?
O Mundo rege-se por leis universais de que não foge há milhões de anos. Quanto ao Homem... Tudo é bem diverso e, por isso, nada é constante e linear. Face a tais irregularidades surgem as agressões ás "leis universais" e, depois, vem as mutações negativas que fazem com que digamos, estupidamente, tudo vai mal.
Quando é que nos consciencializamos dos nossos próprios erros e deixamos de atirar para cima dos outros as culpas que são só nossas?

segunda-feira, novembro 13, 2006

Regresso

Deitados os tapumes abaixo, arrumadas as ferramentas e reabertas as portas é tempo de reiniciar actividade. As obras acabaram e é premente prosseguir a luta, de olhos bem abertos e de entusiasmo activado por uma imensa vontade de Ser e de Existir, rumo ao futuro que se deseja ditoso, porque mais justo e mais empenhado na busca de uma vida melhor, com mais paz e amor, mormente se saiba, por antecipação, que a actualidade não é de rosas e que nada cai do céu, qual abençoado maná das manhãs do deserto, no tempo de Moisés.

Palavras são palavras e as intenções só são de considerar quando se tornam efectivas na plenitude das realizações. Nós, povo humilde, que trabalhamos, gememos, choramos e que, a mais das vezes, rilhamos os dentes com raiva e dor, já não nos motivamos com o “benefício” dos discursos lindos e inflamados dos políticos. O que é preciso é mostrar obra: é dar trabalho, pão e razões de luta ao povo cansado e gasto de tanto sonhos erguidos e não efectivados.

“Quem tem ouvidos, ouça!” – Dizia Jesus.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Um aviso aos leitores

Nem tudo corre a nosso gosto e querer. Às vezes há imprevistos ou contratempos que nos fazem alterar a rota inicialmente traçada e seguir por outro caminho, talvez não tão acessível, mas que nos pode possibilitar a chegada ao mesmo objectivo. Contudo, também existem situações ou circunstâncias, tão imponderáveis que nos obrigam, quer se queira, quer não, a parar por algum tempo, mesmo que breve, para, depois, naturalmente, se prosseguir o destino e, concomitantemente, retomar o nosso projecto.

É o meu caso, neste momento.

Por razões técnicas, a que sou totalmente alheio, vou ficar, por uns dias (uma ou duas semanas), impossibilitado de comunicar com a Internet e, por isso, incapacitado de renovar o blogue, bem como de enviar e receber correio electrónico (vulgo emails).

Apetece-me fazer como os empreiteiros de obras públicas e colocar uma grande tabuleta a dizer: «Pedimos desculpa pelo incómodo. Prometemos ser breves.» Não desistam, por isso, de visitar este blogue, pois de um instante para o outro tudo pode cvoltar à normalidade e, então, cá estarei para vos agradecer a paciência e a preferência. Obrigado!

quinta-feira, novembro 02, 2006

Amor Eterno

“Aquela leda e triste madrugada”[1]

bem viu a bela entrega de ternura,

tornada em simples dada apaixonada

de amor puro e sincero, que perdura.

Aquel’ momento foi tudo e foi nada.

pois transformou-se, ó Deus, por essa altura

numa obsessão fantástica e lembrada,

como uma vil maleita de clausura.

Gastou-se Apolo mil vezes passando,

em seu carro vistoso, pelo Céu

sem, daquela ilusão, romper o véu.

E nada se esvaiu, sempre ficando

por uma eternidade desejada,

mas, dolorosamente, consumada.

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1 – Líricas de Camões

(Do meu livro a publicar:«Sentimentos»)

segunda-feira, outubro 30, 2006

Pensamentos

As dores do corpo são brutas e sem tamanho – ainda recentemente as senti, em lancinante sofrer médico/cirúrgico – mas, bem piores, porque mais persistentes, são as da liberdade coarctada, as das injustiças e do desamor dos homens, nas horas em que surge o medo e, também, naqueles momentos em que se descobre que a ingratidão de quem amamos e a quem tudo demos também nos atinge e magoa.

Viseu, 22 de Novembro de 2002

José Calema

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«Para compreender os tempos é preciso escutar os Poetas. Para saber o que padece o mundo é preciso interrogar os poetas.»

Padre David Maria Turoldo

(a propósito do “regresso dos monges para refundarem a Europa”)


(Do meu livro de poemas a publicar intitulado:«Sentimentos»