segunda-feira, outubro 09, 2006

Ecologia

Num mundo torto e cheio de complicações de toda a ordem só pretendemos que não espezinhem os nossos direitos de cidadãos e, sobretudo, de seres humanos, como tantas vezes tem sucedido. É que esta matéria dos direitos e deveres, a mais das vezes, é um estandarte de fácil (mas indevido) manejo, quase sempre, por mãos impróprias. Pois só intentam, com tal atitude, chegar a “a brasa `sua sardinha” a qual, na maioria dos casos, não é a de melhor qualidade. Porém, como, infelizmente, a vida é feita de muitas coisas erradas, a demagogia é mais uma a que temos de nos habituar e aprender a destrinçar para não cairmos em esparrelas de muito boas falas, mas de resultados catastróficos, para cada um em particular e para todos em geral.

Mas adiante, que podem, como já aconteceu algumas vezes, apelidar-nos com nomes que não nos cabem e que nos chamam agressivamente pela simples razão de defendermos o Homem em si, sem atentarmos a credos religiosos, ideologias políticas e tendência sexuais. Sou do Benfica, mas respeito e entendo os Sportinguistas. Sou Cristão, mas encho-me de compreensão por todos os outros credos religiosos. Sou homem, mas amo os animais. Sou heterossexual, mas respeito e compreendo quem o não é. Sou habitante da Terra, mas aceito com amor todos os outros seres que, por certo, pululam pelos restantes mundos do Universo. Os rótulos não me doem, o que me magoa é a má fé e toda a maldade de quem me quer, com eles, ferir a minha dignidade de pessoa livre e igual às outras, mormente as minhas incapacidades físicas, intelectuais ou, mesmo, morais (se é que existem!?...)

Ainda dentro do espírito ecuménico de que estou a falar, muito me doeu, pelas imagens que presenciei, esta semana, quando da minha visita a pessoa amiga dos arredores de Viseu, ver bandos de caçadores, de arma ao ombro, numa busca frenética e (por que não dizê-lo?) desumana (quase histérica) a animais indefesos e, o que é bem pior, em vias de extinção no nosso país – caso do coelho bravo.

Quando olhamos para o número de caçadores em Portugal, que tiraram as suas licenças, ficamos deveras preocupados. Os números, na sua frieza e crueldade, falam, aos sensíveis para com os problemas do equilíbrio da Natureza, cada vez mais agredida e degradada, com uma eloquência digna do mais inflamado e erudito tribuno.

Quem se importa e acode a tal situação? Quem tem poder e coragem para tomar medidas severas e rápidas que salvem o nosso património cinegético e o reponham nos níveis de equilíbrio há tanto perdido?

Não nos cabe responder, mas, ao menos, “levantámos a lebre” na esperança de que muitas lebres e outras bichezas possam, graças a este alerta, vir a ser salvas.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Anonimato

Meu avô materno – pessoa de poucas letras – mas de imensa sabedoria adquirida na Universidade da Vida, em que era Catedrático Jubilado, dizia-me, bastas vezes, «tu usas um pseudónimo literário porque o teu nome é demasiado grande para ser lido, como assinatura dos teus trabalhos, na rádio ou para não ocupar demasiados tipos nos jornais, o que não è mal nenhum». (De facto José Lemos de Almeida Campos é de ficar sem fôlego). «Mas – acrescentava ele – nunca escondas o teu endereço, para que alguém que te queira contactar, para o bem ou para o mal o possa fazer. Depois, é a ti que cabe decidir se aceitas ou não o que te é dito ou proposto. Nunca te anonimizes no pseudónimo, nem numa falsa morada.»

Vem isto a propósito de alguém – pessoa culta, educada e inteligente – que, de forma delicada tem mandado comentários a este meu simples e humilde blogue, mas deixa-me sempre sem a possibilidade de lhe agradecer por via electrónica, como era e é meu desejo, pois se esconde (numa humildade desconcertante) sob a palavra. anonimusbloggers.

Que argumento pró e contra acrescentar às postagens? Elas, é minha intenção, subentendidamente deixarem – apenas e só – algumas breves pistas para que cada um se debruce sobre os assuntos em apreço de modo a que o raciocínio seja posto à prova por quem me honra com a leitura destas minhas modestas e pobres tretas.

No entanto, sei-o – não é arrogância, é constatação – alguma coisa fica! – Diria e bem Voltaire.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Uma anedota verdadeira

Doença de família – a qual atingiu também o irmão e a irmã – pelo seu espírito irreverente e mais livre de preconceitos, fizera dele, dos anos quarenta a cinquenta e tal do século XX, figura típica na cidade de Viseu.

Latoeiro de profissão, Pedrinho cegara ainda não atingira o meio século de vida. Mas, porque conhecia a sua terra como ninguém, não se confinou a um viver sedentário de esmoler à porta de casa e era vê-lo – todos os dias, fizesse frio ou calor – de grossa bengala, pintada com riscas brancas e vermelhas, numa mão e caixa da rabeca a tiracolo, a percorrer a cidade em direcção às “quatro esquinas” (cimo da rua Direita). Aí, poisava o instrumento sobre o ombro esquerdo, tirava algumas arcadas que alegravam e encantavam os passantes compadecidos que lhe lançavam na caixa do instrumento, estrategicamente, colocada no chão, umas moedas que lhe permitiam ir molhar a goela à “Estrela Verde” ou ao “Senta Aí”, com uma aromática taça de tinto do Dão.

Certa vez, manhã gélida de Janeiro, em plena Rua formosa – que não era nada do que é hoje – junto á Farmácia Confiança, de um carro de vacas era descarregada uma pipa de vinho para uma tasquinha ali existente. Nesse preciso momento aproximou-se o Pedrinho que, no seu tactear de invisual, toca num dos animais e, porque era pessoa educada, julgando tratar-se de um casaco de peles, retirando prestes a mão, disse:

- Oh! Desculpe, minha senhora!

De cima da carroça das vacas, um dos homens esclareceu de forma bem audível:

- Não é Senhora nenhuma, Pedrinho. É um carro de vacas!

Desviando caminho, Pedrinho lá seguiu para as “quatro esquinas” a dar seu habitual concerto.

Cerca de uma hora após o incidente, retornou pelo mesmo trilho. Ao chegar, ao mesmo sítio onde havia encontrado a carroça que transportava as pipas de vinho, topa com a fidalga de Figueiró, a D. Mercês Pessanha, na época a pessoa mais rica e, por isso mesmo, mais conhecida e respeitada da região, muitíssimo bem agasalhada em seu magnífico casaco de peles. Ao sentir, na ponta dos dedos, aquele toque, porque o lugar era o mesmo, saiu-se de pronto, em voz bem alta, com o seguinte comentário:

- Cá está, outra vez, a puta da vaca!

(Do meu livro a publicar: "As minhas e as estórias deles")

segunda-feira, outubro 02, 2006

Ainda Desporto: Escola de virtudes

Ontem vi, no canal dois da RTP, o programa “a Alma e a Gente” de autoria do Professor Doutor José Hermano Saraiva e fiquei a saber (estamos sempre a aprender) que existem dois “desportos”: o dos gregos ou seja o dos ginásios que assenta basicamente no desenvolvimento da mente e do corpo e o dos romanos com os estádios, na altura chamados coliseus, cuja base é, meramente, o espectáculo em que uns tantos (na época eram os gladiadores que futilmente – digo eu – acabavam por se matar) para gáudio de uns milhares que, nas bancadas, ululavam, histericamente, de polehgar voltado para baixo e de mentes recheadas por pensamentos que hoje nos desonram como seres humanos e por sentimentos que – falo por mim – não sabemos definir.

Assim sendo prefiro o desporto dos gregos:”Mente sã em Corpo saudável”.

O outro é o desporto das massas ululantes como floresta em dia de vendaval; dos interesses económicos; do tráfico de influências para obtenção de vitórias; do “doping” para melhorar capacidades; das compras e vendas de homens e/ou mulheres, quais animais nas feiras; dos vergonhosos e indignos “apitos dourados” e sei lá que mais?!

Ou será que estou a ser conservador – numa palavra, Velho do Restelo”? Se assim é, deixem-me ser “Velho do Restelo”, pois eu quero, neste caso, ser um bom “Velho do Restelo”!...

Vejam lá como as coisas são! E eu que pensava que só existia um único desporto: o do aproveitamento dos tempos livre para satisfação do espírito e manutenção da saúde do corpo!... E esse sim, seria e é, escola de virtude!

domingo, outubro 01, 2006

E se eu me sentisse inferior com a crítica?!...

Embora não pareça, sempre gostei de ser construtivamente criticado, pois é graças a esse tipo de críticas que tenho evoluído e avançado na vida, não tão rápido e positivamente como era meu desejo, mas, em todo o caso – diga-se – tenho avançado. O que me torna feliz.

Quando, como é o meu caso, se nasce burro é sempre difícil tornarmo-nos portentosos em nossos pensamentos e na (nossa) forma de os expressarmos. Temos a idade que temos, mas estamos sempre, sempre a tempo de aprendermos. Por mais que estudemos, por mais que vivamos, por mais que lutemos contra castelos de areia ou moinhos de vento, sempre haverá algo que aprender, pois, de contrário, seremos eternamente “velhos do Restelo”.

Por isso, agradeço as críticas construtivas. E se eu me sent6isse inferior com a crítica?!... Mas não! Mesmo que elas (as críticas) se afoguem (sei lá por que motivo?) no anonimato ou em nomes que podem ser falsos. Mesmo assim: Bem hajam, por me ajudarem a melhorar!...