segunda-feira, outubro 02, 2006

Ainda Desporto: Escola de virtudes

Ontem vi, no canal dois da RTP, o programa “a Alma e a Gente” de autoria do Professor Doutor José Hermano Saraiva e fiquei a saber (estamos sempre a aprender) que existem dois “desportos”: o dos gregos ou seja o dos ginásios que assenta basicamente no desenvolvimento da mente e do corpo e o dos romanos com os estádios, na altura chamados coliseus, cuja base é, meramente, o espectáculo em que uns tantos (na época eram os gladiadores que futilmente – digo eu – acabavam por se matar) para gáudio de uns milhares que, nas bancadas, ululavam, histericamente, de polehgar voltado para baixo e de mentes recheadas por pensamentos que hoje nos desonram como seres humanos e por sentimentos que – falo por mim – não sabemos definir.

Assim sendo prefiro o desporto dos gregos:”Mente sã em Corpo saudável”.

O outro é o desporto das massas ululantes como floresta em dia de vendaval; dos interesses económicos; do tráfico de influências para obtenção de vitórias; do “doping” para melhorar capacidades; das compras e vendas de homens e/ou mulheres, quais animais nas feiras; dos vergonhosos e indignos “apitos dourados” e sei lá que mais?!

Ou será que estou a ser conservador – numa palavra, Velho do Restelo”? Se assim é, deixem-me ser “Velho do Restelo”, pois eu quero, neste caso, ser um bom “Velho do Restelo”!...

Vejam lá como as coisas são! E eu que pensava que só existia um único desporto: o do aproveitamento dos tempos livre para satisfação do espírito e manutenção da saúde do corpo!... E esse sim, seria e é, escola de virtude!

domingo, outubro 01, 2006

E se eu me sentisse inferior com a crítica?!...

Embora não pareça, sempre gostei de ser construtivamente criticado, pois é graças a esse tipo de críticas que tenho evoluído e avançado na vida, não tão rápido e positivamente como era meu desejo, mas, em todo o caso – diga-se – tenho avançado. O que me torna feliz.

Quando, como é o meu caso, se nasce burro é sempre difícil tornarmo-nos portentosos em nossos pensamentos e na (nossa) forma de os expressarmos. Temos a idade que temos, mas estamos sempre, sempre a tempo de aprendermos. Por mais que estudemos, por mais que vivamos, por mais que lutemos contra castelos de areia ou moinhos de vento, sempre haverá algo que aprender, pois, de contrário, seremos eternamente “velhos do Restelo”.

Por isso, agradeço as críticas construtivas. E se eu me sent6isse inferior com a crítica?!... Mas não! Mesmo que elas (as críticas) se afoguem (sei lá por que motivo?) no anonimato ou em nomes que podem ser falsos. Mesmo assim: Bem hajam, por me ajudarem a melhorar!...

sexta-feira, setembro 29, 2006

Escola de viurtudes

Quando era garoto ouvia dizer que o desporto era uma “Escola de Virtudes”.

Essa ideia era tão arreigada em mim que, ao crescer e ao tornar-me homem, não era, nem sou ainda agora, capaz de entender toda a corrupção e todos os jogos de influências de que – como se vê pela Comunicação Social – ele está eivado.

«Corpo são alma sã»!

Qual alma sã?

Em que mundo estamos? Qual “Escola de Virtudes”?

Para onde vamos? E o que queremos para o futuro? Haverá futuro para o que vai tão mal?

Sejamos optimistas. Mude-se tudo. Faça-se tudo e construa-se uma nova mentalidade para que haja um Novo Desporto!

quarta-feira, setembro 27, 2006

Pensadores precisam-se

Dizia-me, há cerca de dois anos, o meu amigo e condiscípulo da Escola Técnica (no meu tempo ainda havia disso) Gualter Sampaio – Deus o tenha em bom lugar – que eu era, sou e sempre fui um pensador.

Surpreendeu-me a asserção, pois, para mim, a palavra só era aplicável a figuras como António Vieira, Alexandre Herculano, Almeida Garret, Vitorino Nemésio, Agostinho da Silva, Florbela Espanca, Natália Correia, Sofia de Melo Brinner ou outros, de igual porte intelectual e, jamais, a mim, mero e mísero poeta, escritor e jornalista, para aqui enterrado, nas graníticas vertentes das serranias da Beira.

Pensava eu (cá está de novo a palavra) que só era tido como pensador, quem tinha altas tiradas literárias. Agora – restolhando nas memórias do meu passado – verifico que, afinal, o Gualter tinha toda a razão, pois desde menino – face à minha deficiência motora – eu tive de usar a massa cinzenta para superar as minhas incapacidades físicas, inventando soluções que me ajudassem a fazer o que, à primeira vista, me estava ou está interdito. Assim sendo, aceito, efectivamente, que sou um pensador, talvez um tanto perdido no mundo do “pronto a usar”, onde “o pensar” se torna quase uma tarefa invulgar. Hoje ser pensador é – permitam-me a caricatura – ser uma “ave rara” na civilização das ideias feitas. Já não é preciso pensar. A Televisão dá-nos tudo já digerido. Os computadores têm programas capazes de nos resolverem os mais intrincados problemas. Pois é! Mas quem põe as imagens e as falas nas televisões? Quem cria os programas informáticos? Quem rastreia essas necessidades dos nossos dias?

E, depois, queixamo-nos do insucesso escolar, lamentamo-nos de que as coisas vão muito mal a nível da matemática, da ciência e do português! Sim, sim! É verdade! E o que se faz para pôr os miúdos a raciocinar, a discernir para que evoluam nos estudos e tomem gosto pelo uso do seu cérebro embrutecido pelos “Morangos com açúcar” e parado pelo dedilhar nos jogos de computador?...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Música eterna

Valha-nos Santo António!

Esta musiquinha que chega aos nossos ouvidos faz-nos lembrar uma época pouco digna da história da humanidade: a II Guerra Mundial (1939/1945). A música do Glen Miller que roda no prato do gira-discos, não é culpada de nada, só de nos trazer à memória factos que se passaram na nossa infância e que nunca deveriam ter acontecido. Mas foi útil. É sempre útil e, sobretudo, agradável escutar o Glen e a sua fabulosa orquestra, seja o tema qual for. Os anos da guerra e dos pós guerra, marcaram uma geração e essas músicas ficaram a servir de traço de união entre o passado e o futuro. O passado foi uma triste e vergonhosa realidade, é bem verdade, mas que, por isso mesmo, como lição, não pode ser olvidado. O futuro que desejamos (embora, por ora, saibamos impossível) seja de grande amor e de muita esperança num Mundo melhor.

Segredam-nos que estamos a esquecer o presente. Nada disso. É que o presente está a ser vivido numa angústia tão evidentemente sentida, que o julgamos um abismo profundo e difícil de escalar, a ponto de temermos encará-lo de frente, pois ainda escorre sangue das feridas feitas no passado recente. Quando, em finais do século XX e já ao transpor das portas do século da informática e da “aldeia global”, ainda se matam homens, em execuções arbitrárias e impiedosas, por defenderem os seus ideais políticos e religiosos e, o que é pior, por terem cor de pele diferente dos seus algozes, é bem melhor riscarmos do mapa sequencial da vida esse presente que nos enoja e envergonha.

O Glen Miller, ao compor as suas músicas, tinha razão: afinal o passado, entre toda a maldade dos nazis e dos fascistas de todo o Mundo, ainda teve gente boa capaz de lutar, compondo, tocando e cantando, pelo tal Mundo melhor que, apocalipticamente, está profetizado, depois que se sofram as dores da necessária depuração.

Obrigado Glen, pelos sons que nos legaste, pois permitiram que, usando-os, possamos tecer considerações sobre a cronologia e os seus efeitos numa humanidade que quer vir a ser feliz e que, para isso, não se esquiva a lutas e trabalhos sem medida.