sexta-feira, setembro 29, 2006

Escola de viurtudes

Quando era garoto ouvia dizer que o desporto era uma “Escola de Virtudes”.

Essa ideia era tão arreigada em mim que, ao crescer e ao tornar-me homem, não era, nem sou ainda agora, capaz de entender toda a corrupção e todos os jogos de influências de que – como se vê pela Comunicação Social – ele está eivado.

«Corpo são alma sã»!

Qual alma sã?

Em que mundo estamos? Qual “Escola de Virtudes”?

Para onde vamos? E o que queremos para o futuro? Haverá futuro para o que vai tão mal?

Sejamos optimistas. Mude-se tudo. Faça-se tudo e construa-se uma nova mentalidade para que haja um Novo Desporto!

quarta-feira, setembro 27, 2006

Pensadores precisam-se

Dizia-me, há cerca de dois anos, o meu amigo e condiscípulo da Escola Técnica (no meu tempo ainda havia disso) Gualter Sampaio – Deus o tenha em bom lugar – que eu era, sou e sempre fui um pensador.

Surpreendeu-me a asserção, pois, para mim, a palavra só era aplicável a figuras como António Vieira, Alexandre Herculano, Almeida Garret, Vitorino Nemésio, Agostinho da Silva, Florbela Espanca, Natália Correia, Sofia de Melo Brinner ou outros, de igual porte intelectual e, jamais, a mim, mero e mísero poeta, escritor e jornalista, para aqui enterrado, nas graníticas vertentes das serranias da Beira.

Pensava eu (cá está de novo a palavra) que só era tido como pensador, quem tinha altas tiradas literárias. Agora – restolhando nas memórias do meu passado – verifico que, afinal, o Gualter tinha toda a razão, pois desde menino – face à minha deficiência motora – eu tive de usar a massa cinzenta para superar as minhas incapacidades físicas, inventando soluções que me ajudassem a fazer o que, à primeira vista, me estava ou está interdito. Assim sendo, aceito, efectivamente, que sou um pensador, talvez um tanto perdido no mundo do “pronto a usar”, onde “o pensar” se torna quase uma tarefa invulgar. Hoje ser pensador é – permitam-me a caricatura – ser uma “ave rara” na civilização das ideias feitas. Já não é preciso pensar. A Televisão dá-nos tudo já digerido. Os computadores têm programas capazes de nos resolverem os mais intrincados problemas. Pois é! Mas quem põe as imagens e as falas nas televisões? Quem cria os programas informáticos? Quem rastreia essas necessidades dos nossos dias?

E, depois, queixamo-nos do insucesso escolar, lamentamo-nos de que as coisas vão muito mal a nível da matemática, da ciência e do português! Sim, sim! É verdade! E o que se faz para pôr os miúdos a raciocinar, a discernir para que evoluam nos estudos e tomem gosto pelo uso do seu cérebro embrutecido pelos “Morangos com açúcar” e parado pelo dedilhar nos jogos de computador?...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Música eterna

Valha-nos Santo António!

Esta musiquinha que chega aos nossos ouvidos faz-nos lembrar uma época pouco digna da história da humanidade: a II Guerra Mundial (1939/1945). A música do Glen Miller que roda no prato do gira-discos, não é culpada de nada, só de nos trazer à memória factos que se passaram na nossa infância e que nunca deveriam ter acontecido. Mas foi útil. É sempre útil e, sobretudo, agradável escutar o Glen e a sua fabulosa orquestra, seja o tema qual for. Os anos da guerra e dos pós guerra, marcaram uma geração e essas músicas ficaram a servir de traço de união entre o passado e o futuro. O passado foi uma triste e vergonhosa realidade, é bem verdade, mas que, por isso mesmo, como lição, não pode ser olvidado. O futuro que desejamos (embora, por ora, saibamos impossível) seja de grande amor e de muita esperança num Mundo melhor.

Segredam-nos que estamos a esquecer o presente. Nada disso. É que o presente está a ser vivido numa angústia tão evidentemente sentida, que o julgamos um abismo profundo e difícil de escalar, a ponto de temermos encará-lo de frente, pois ainda escorre sangue das feridas feitas no passado recente. Quando, em finais do século XX e já ao transpor das portas do século da informática e da “aldeia global”, ainda se matam homens, em execuções arbitrárias e impiedosas, por defenderem os seus ideais políticos e religiosos e, o que é pior, por terem cor de pele diferente dos seus algozes, é bem melhor riscarmos do mapa sequencial da vida esse presente que nos enoja e envergonha.

O Glen Miller, ao compor as suas músicas, tinha razão: afinal o passado, entre toda a maldade dos nazis e dos fascistas de todo o Mundo, ainda teve gente boa capaz de lutar, compondo, tocando e cantando, pelo tal Mundo melhor que, apocalipticamente, está profetizado, depois que se sofram as dores da necessária depuração.

Obrigado Glen, pelos sons que nos legaste, pois permitiram que, usando-os, possamos tecer considerações sobre a cronologia e os seus efeitos numa humanidade que quer vir a ser feliz e que, para isso, não se esquiva a lutas e trabalhos sem medida.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Entreajuda e Pedagogia

Sempre que um grupo de indivíduos – não importa se muitos, se poucos – coabitam num mesmo espaço – dizem psicólogos e sociólogos famosos – deve procurar-se criar em todos eles um verdadeiro espírito de comunidade pacífica e cooperante em todas as vivências e actividades de convívio humano. Esse espírito comunitário, quando devidamente trabalhado e desenvolvido, deve transformar-se em sentido de família, com todas as implicações do próprio termo. E quando existe uma família tem de existir, em todos os elementos do agregado, um autêntico e sincero sentido de solidariedade.

Solidariedade é, no caso familiar, a preocupação no bem-estar uns dos outros, quer na vivência colectiva dos problemas ou dificuldades, quer tendo como objectivo a sua minimização ou, se possível, eliminação. Mais, sentido de família é partilha de espaços, sofrimentos, alegrias e lutas no dia a dia. A partilha implica ainda a entreajuda na execução de tarefas que resultam sempre no bem-estar comum. Este natural partilhar de tarefas não é, de modo algum, o aproveitamento do trabalho de outros em proveito próprio, mas da comunidade que o mesmo é dizer: da família. Mau é o pai ou a mãe que não peça colaboração aos que ama e que não os incentive a ser coesos e solícitos na entreajuda da vida doméstica. Chama-se a essa entreajuda formação ou (se quiserem) educação democrática e comunitária. É pela formação e educação democrática comunitária que se reabilita o ser humano para que, cabalmente e sem dificuldade, se possa integrar no trabalho e na sociedade em que vier a ser inserido.

Mas… infelizmente, há famílias e, até, Instituições que assim não pensam e assim não fazem. São corpos e almas amorfas que existem para cumprir interesses pessoais seus e dos funcionários (no caso das instituições), esquecendo, por completo, os restantes indivíduos que constituem o agregado e que, pedagogicamente, precisam de ser instruídas pela via do “bom” exemplo.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Infalibidade Papal?

Nunca fui, nem nunca poderia ser – dado o meu conceito de que ninguém é perfeito ou dono da verdade – favorável à questão da “infalibilidade papal”, por isso não me surpreendi com o falhanço de Ratzinger, na lição de sapiência que proferiu, na (sua) Alemanha natal, e que está a dar problemas aos cristãos em tantas partes do Mundo.

O que se passou, não podia, nem devia ter acontecido! Bento XVI é um líder e um líder tem sempre – creio eu – que ser comedido nas palavras e nos actos. Mesmo que o que diz ou faz seja na melhor das intenções. Há que ter cuidado, não vá a afirmação ou a atitude ser sujeita a “um mal-entendido” e, daí, aparecerem – desnecessariamente – as más interpretações que levam a situações de revolta colectiva, as quais podem trazer (trazem sempre) consequências trágicas.

Um líder, quando tem de dizer ou fazer seja o que for importante, deve, primeiro, ouvir a opinião de seus conselheiros para evitar situações como a que está a ocorrer com a Igreja Católica Romana. Salvo se, por medo ou outro qualquer sentimento menos puro, esses conselheiros forem, apenas, aduladores e só souberem dizer sim, sim, sim, que também, infelizmente, há disso.

Ratzinger falhou – porque por mais que diga que só fez uma “citação” não consegue convencer ninguém, pois, de contrário, não a faria, orientava o seu discurso noutra direcção. Há coisas que, de acordo com a conjuntura de cada momento, têm de ser evitadas –, mas, bem pior que tudo isso, não vejo, nem sinto que o papa tenha humildade para, de uma forma brilhante e muito airosa, descalçar a bota e sacudir a pedrinha (ou pedregulho) que dificulta a sua marcha e o poderá levar avante sem mais incidentes de percurso. Queira Deus que eu esteja bem enganado para bem dos cristãos e, concomitantemente, de toda a humanidade!