terça-feira, setembro 12, 2006

Umas sim,outras não. Por quê?

Há, na Igreja Católica Apostólica Romana, coisas que, por mais que me esforce, não consigo entender. Será porque a minha instrução é insuficiente? Será que sou mesmo burro? Ou serão as duas coisas que existem em mim?

A questão pode pôr-se de uma outra forma bem mais concreta: O que é um santo? Aprendi, quando andava na catequese – já lá vão um ror de anos!... – que um santo era alguém que, pela sua fé em Jesus e em Deus Pai, pela sua bondade e abnegação em prol do bem estar dos outros, era digno de ser venerado nos altares.

Se assim é, expliquem-me, então, por que é que, em Portugal, a Rainha Isabel (piedosa e ilustre esposa de D. Dinis) foi considerada santa, e as Rainhas D. Leonor (sublime criadora das Misericórdias) e D. Estefânia (lutadora pelo bem das crianças, a ponto de ter criado o primeiro hospital pediátrico do país) o não são? E há mais que seria fastidioso, pela vastidão da lista, enumerar.

Foi pelos milagres, dirão. Quais milagres? O das rosas? Em que ficamos: o “célebre milagre das rosas” foi a nossa Rainha Isabel que – como diz o povo – o fez ou foi a sua avó Isabel da Hungria que, efectivamente, o realizou?

Ah! A Rainha Santa Isabel de Aragão (diga-se de Portugal) era muito esmoler. As outras rainhas também o eram. Ela – acrescentam – concretizou o milagre de, em plena batalha, ter conciliado pai e filho, em desacordo de ideais.

Pois sim! Não o contesto, Mas, então, será milagre um marido que a amava e respeitava profundamente e um filho que, também, a amava e respeitava de forma mais que evidente terem posto termo a uma contenda entre eles? Afinal – ó Deus! –, os cemitérios estão cheios de Santas e Santos dignos de serem venerados nos altares e de terem seus nomes inscritos entre o dos bem-aventurados!...

segunda-feira, setembro 11, 2006

2828 mortos. Será?...

Disseram, as entidades oficiais norte americanas, que nas Torres Gémeas de New Iork, em 11 de Setembro de 2001, pereceram 2828 pessoas.

Fico pensativo a olhar para tal número. Não por o achar demasiado grande, mas, pelo contrário, por ao olhar para todas as circunstâncias, o julgar demasiado pequeno. E a pergunta surge incisiva e dolorosa: será?

Quando ainda estava no activo jornalístico e tive de cobrir o choque de comboios de Alcafache, também, os serviços oficiais deram um número que me causou dúvidas (muitas mesmo).

Eu bem vi aquela amalgama de ferros calcinados e torcidos, pelo calor e pela violência do impacto, e, na manhã seguinte, dentre os escombros da tragédia, bem vi – repito - e apanhei, conjuntamente com os bombeiros e com alguns populares, para além de pedaços de carne, de cabelos e roupas ensanguentadas de corpos destroçados, muitos Bilhetes de Identidade, Passaportes e outros documentos que pertenciam a vítimas do desastre – o maior que relatei em toda a minha carreira de jornalista e foram 40 longos e trabalhosos anos.

Nestes casos, os números existem e são resultantes do que é visível e palpável. No entanto, sei-o agora pela minha experiência profissional e de vida, ficam sempre muito aquém da estatística.

Por isso, no caso do “apocalipse das Torres Gémeas” é-me lícito que ponha sérias reservas e, por isso, pergunte: 2828 mortos, será?...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Reencarnação

Em que ficamos? A reencarnação existe ou não existe?

Depende muito do tipo de fé de cada um. Para um céptico é bem evidente que não existe, nem pode existir, já que para ele só o que é cientificamente provado e comprovado é que existe Tudo o mais é hipótese, é especulação.

A este propósito é-nos lícito referir que há quem – ingenuamente – o queira negar reportando-se, por exemplo, à parábola do pobre Lazaro quando pede ao Pai Abraão (não a Deus): «peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; e os previna, a fim de que não venham para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: têm Moisés e os Profetas que os oiçam! Replicou-lhe ele: Não pai Abraão; se alguns dos mortos for ter com eles hão-de arrepender-se! Abraão respondeu-lhe: Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos»! (Lucas 16, 27-31) . Pretendem basear a sua negação no facto de Jesus dizer “ressuscitar” e não “reencarnar” esquecendo-se que uma reencarnação é coisa para levar anos, dado que é preciso esperar o tempo da gestação de uma mulher e o de crescimento do indivíduo reencarnado, o que seria demasiado longo. Quando o reencarnado estivesse apto a passar a mensagem já quem dela precisava teria morrido, pois a esperança de vida, naquela época, andava por volta dos 40/50 anos.

Também há quem cite o caso do bom ladrão quando, na cruz, ao lado de Jesus lhe pediu: «Jesus lembra-te de mim quando estiveres no teu reino! Jesus respondeu-lhe: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”»(Lucas 23,43) Pretendem esses negadores da reencarnação dizer que, então, Jesus deveria dizer: «Tem paciência, os teus crimes são muitos, deves passar por diversas reencarnações até te purificares completamente.» Que disparate! Então se Jesus – nas curas milagrosas que fez – disse sempre: «Vai os teus pecados estão perdoados!» Por que não havia de perdoar, misericordiosamente e de imediato, àquele homem que, com uma incomensurável fé, se arrependera dos seus maus actos?

E as negações continuam, passando pelas cartas de São Paulo como por exemplo: «Na ressurreição dos mortos enterra-se um corpo corruptível e ressuscita um corpo incorruptível...» (1 Cor15,42-44). e por aí adiante. Esquecem-se esses mentores da não reencarnação que o corpo incorruptível de que nos fala Paulo mais não é do que a alma, ou espírito, ou energia do corpo corruptível que é dado pelo ventre da mãe que o gerou e que após a sua morte evolui no espaço, pronto, se for o caso, a ser novamente “colocado” num novo corpo em gestação noutra mulher.

Depois vêm com a epístola aos Filipenses quando é afirmado: «Estou pressionado dos dois lados. Tenho o desejo de partir e estar com Cristo, já que isso seria muitíssimo melhor; mas continuar é mais necessário por causa de vós.» (1,21) Baseados nisto dizem: «Se ele (Paulo) tivesse acreditado ser possível a reencarnação, haveriam sido inúteis os seus desejos de morrer, já que voltaria a encontrar-se com a frustração de uma nova vida terrena.» Oh! Santa inocência! Não vêem que – como atrás já foi dito – o tempo para o retorno é muito grande e podia deixar de ser o tempo indicado para quem vivia naquela geração?!...

E, ainda, dizem esses negadores: «A afirmação bíblica mais contundente e lapidar de que a reencarnação é insustentável vem trazê-la a Carta aos Hebreus»: - «Está determinado que os homens morram uma só vez e depois tenha lugar o julgamento.» Mas é claro que assim é, pois o corpo que suporta a nossa alma ou espírito ou energia só vive uma vez, mas – diz o texto sagrado – depois vem o julgamento e é nesse momento que o Pai (Deus) determina o tempo de voltar ou não à Terra noutro corpo e noutra vivência totalmente diferente.

Entretanto, para quem for aberto à crença em coisas não visíveis ou impalpáveis torna-se fácil aceitar a sua existência.

Em que se baseiam aqueles que acreditam na existência da reencarnação?

Os textos sagrados do Antigo Testamento falam disso de forma muito discreta e tímida, veja-se, por exemplo, o salmo [89 (90)] que diz: «Reduzis o homem ao pó da Terra e dizeis: “Voltai filhos de Adão!” mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem, (...) Tu os arrebatas como um sonho, ou como a erva que, de manhã, viceja...» Voltai ao pó. Quer dizer que, para além de termos sido feitos do pó, já lá estivemos muitas manhãs como a «erva que viceja». Pelo contrário Cristo, nesta matéria, é um tanto mais atrevido não negando a sua existência.

Vejamos, como prova do que acabamos de afirmar, mais os seguintes exemplos (dois entre muitos) e que são os episódio narrados no Evangelho de Mateus em que, a propósito da morte de João Baptista, está escrito: «Porque todos os profetas e a Lei anunciaram isto até João. É que, acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos, ouça!» (Mt. 11 – 13 a 15)

E, mais adiante, o mesmo escritor sagrado repisa essa mesma ideia. «Os discípulos fizeram a Jesus esta pergunta: “Então, por que é que os doutores da Lei dizem que Elias há-de vir primeiro?” Ele respondeu: “Sim, Elias há-de vir e restabelecer todas as coisas. Eu, porém, digo-vos: Elias já veio, e não o reconheceram; trataram-no como quiseram. Também assim hão-de fazer sofrer o Filho do Homem.” Então os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista.» (Mt. 17, 10-13) e (Mc. 9, 11-13)

Como é, então, que o próprio João Baptista afirma que é apenas “a voz do que clama no deserto?

Deus é Pai, Todo Misericordioso, e, no acto da concepção de cada criatura, faz esquecer o passado, pois, para Ele, só contam os comportamentos do presente. O passado é passado, nada mais vale. O presente é que tem de ser devidamente aproveitado na conquista da nossa perfeição.

terça-feira, setembro 05, 2006

Descriminação

Dói-nos a discriminação, não importa qual o seu tipo, mas dói mais quando ela surge de gente que devia – pela sua instrução e profissão – ser impoluta.

Há tempos, em Lisboa, um médico, Professor Catedrático, negou-se a ver, no seu consultório, uma doente só porque ela se locomovia numa cadeira de rodas. Santo Deus! Onde está a deontologia?! Que é feito do juramento de Hipocrates?! Nesse momento apeteceu-nos gritar, chorar e partir a cabeça contra as paredes, numa raiva de leão moribundo escoiceado por todos os burros do mundo.

Para tal atitude não temos palavras, nem sabemos que comentário fazer e, muito menos, como proceder para denunciar tão vil atitude. Entretanto, uma coisa é certa, não podemos deixar de mostrar a nossa grande revolta e, de forma bem vincada, a nossa dor por sabermos que ainda há gente que não entendeu que os homens são todos iguais e têm todos direito a serem respeitados, tratados na enfermidade, atendidos em todas as circunstâncias e amados de forma geral sem restrições, como pessoas inteiras, independentemente dos seus problemas específicos ou das anomalias físicas ou mentais.

Temos – Deus queira que não estejamos enganados! – (ai!) a certeza que nem todos são como o Professor Neurocirurgião que presta(va) serviço no Hospital de Santa Maria de Lisboa, o qual teve tão ignóbil gesto discriminatório, porque, sabemos que, sem serem Madre Teresa de Calcutá, ainda existem homens e mulheres capazes de se solidarizarem com o seu semelhante, sabendo amar a tudo e a todos por igual. Buda, Moisés, Hipocrates, Cristo, Mahomé e todos os outros grandes condutores e formadores de homens devem, por certo, «lá no assento etéreo onde subiram» ter dado um salto de revolta e de angústia por se aperceberem que, afinal, os seus ensinamentos e exemplos não foram recebidos e seguidos por todos os homens que habitam no conturbado planeta Terra.

Porra, para tudo isto!!!...

sexta-feira, setembro 01, 2006

Abençoado medo

Tenho medo

De ter medo

Do medo

Que é medo

E que mete medo

Mesmo a quem diz

Nunca ter medo

De nada

Nem sequer

Do próprio medo.

Por isso

Cheio de medo

Espanto o medo

Que me invade

E me quer aniquilar

Através do medo.

E assim

– Vencido o medo –

Vou adiante

À procura

De outro medo

Que me cause medo

E me impulsione

A seguir sem medo

De ter medo.

- Bendito o medo

Que me impele

E me torna vitorioso

No meio do medo!...